segunda-feira, 18 de março de 2013

Urgências e culpas...

O passado que não se fez presente hoje sufoca minha alma e oprime o coração; choroso por um dever-ser que não se é; e por um antes que devendo ser, não o foi. O fato é que disso eu morri, há mais tempo do que supões; morrendo logo nos primeiros momentos de nós dois, com punhal cravado e farpas sujas de raiva em mim jogada. Confesso: fui covarde em negar que eu já havia partido ainda que estivesse aqui, ancorado no medo e nas ilusões a confundir-se em esperança e negar a causa mortis. As correntes, outrora laços, cortaram minha vontade e adoeceram minha alma. Perdoa, mas hoje sou a sombra do amor que um dia viveu em nós, mas que partiu e que de mim restou. Segurei-me no amor em seus espinhos, enquanto você nos arrancava pela raiz. E da terra fértil repousado o coração, nada mais alimenta. Perdoa por me fazer teu cativeiro de sentimentos amargos. Hoje, fujo de mim; hoje me escondo de nós dois. Lavraste no ontem tua própria sentença a ser paga na clausura do mais bonito que em mim adormecido está. Perdoa por não te perdoar quando ainda criminosa, pois pagas agora pena ditada pelo meu desespero, mas que já cumpriste. E já curada, sou eu o enfermo a recusar remédio das tuas mãos e exigir a luz por ter se permitido cegar. Paz fora bandeira alva que rasgaste a um alto preço, o território santo de minha sanidade entregue às mãos do futuro a varrer tristeza, e que chegou, embora tarde demais. Perdoa também por não te libertar quando tive a chance de me libertar, pois hoje sou violento moribundo preso no próprio sonho. Sonho que se sonha só, a ressuscitar os monstros que fantasiastes tua conduta passada. Você veneno, eu castigo e, devo dizer que, sendo a culpa minha, ela a ti também pertence.

2 comentários:

Poeta da Colina disse...

É sempre bom lembrar que não há inocentes.

Milene Cristina disse...

O entregar-se nas mãos, o dividir das causas, das faltas. Do muito querer, do adeus tardio, muitas despedidas do dias.