quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Santa Maria...

Diante da fragilidade da própria Vida, somos nós quem nos dissolvemos. Apesar das ignorâncias e dos medos que nos desviamos ou além das tristezas e das mesquinharias de que nos protegemos, o homem coleciona suas inevitáveis tragédias. Há em nós misérias ilusoriamente particulares que cedo ou tarde tomam forma, peso, densidade, ganham eco, força, intensidade e contaminam o ar, envenenam o tempo, arruínam os outros. Na soma dos nossos dias, inevitavelmente perdemos. Afinal, qual é o alcance das nossas ganâncias? Qual a culpa dos nossos descasos e a extensão dos nossos erros? Jardim crescido que abandona semente também não floresce. Fruto maduro que não se dedica à boca alheia inteiro apodrece. E não há nesta terra poesia que nos salve dos nossos silêncios - filhos da omissão - nem das profundas dores, irmãs da perda, do desespero e do desamparo. Assim, hoje me cabe pedir licença aos meus habituais egoísmos para condoer e exercitar adormecida compaixão. Se não há dor maior do que aquela que a gente sente, despertenço-me para doer no outro a Alma que se apagou com forte vento. 

Que Deus tenha piedade de nós.

Um comentário:

Camila disse...

Deus sempre tem piedade :)