quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Breve tratado poético sobre a felicidade...

A felicidade genuína silencia os nossos vícios e elogia nossas virtudes. Assim, o homem feliz despede-se dos seus defeitos pelo não uso; desata os nós pela renúncia às amarras, e escolhe os sorrisos pela desnecessidade das batalhas. A felicidade nos distrai do nosso egoísmo e da nossa própria dor. E quando com a dor se ocupa, serve-se da alheia na intenção de distrai-la também. Tal qual a tristeza, felicidade dissolve os seus contrários quando em nós permanece, atraindo semelhantes razões que perpetuam e alimentam suas existências. Ambas podem facilmente ser encontradas embaixo de miudezas muitas ou nascerem de grandes empreendimentos e excursões da Alma. O não uso as envelhecem. A felicidade em nós se apresenta médica ou professora, visto que nos cura e nos ensina. Como médica, melhora os olhos, dando-nos vistas às singelezas. Também nos previne e nos imuniza dos inúmeros adoçantes e tons de cinza. Como professora se mostra de acordo com a matéria: em geometria, abençoa nossos planos; em economia, ensina a nos poupar das amarguras e excessos nossos, além de nos mostrar o real valor dos laços; na metereologia, anuncia tempo bom da janela-de-nós; em biologia, versa sobre o crescer e sobre os frutos; em gastronomia, deixa saudades sem gosto amargo; na arquitetura nos constrói e nos revela as dimensões interiores. Quando das horas vagas, é mágica, pois desaparece com mágoas e passados doídos. Ou então relojoeira distraída, pois não está nem aí para os tempos. Impontual, felicidade é o caminho estreito, a porta pequena, um sutil sussurro que só nos alcança quando ausente o grave tom da voz das nossas dores. A felicidade como raíz do próprio homem, carrega consigo alguns defeitos: imprevisível, dessabemos quando pousará ao nosso lado, se antes ou depois das nossas inquietas expectativas. Medrosa, corre por qualquer ameaça de grito ou boicote nosso. Esquecida, sofre quando foge por não lembrar facilmente o caminho de volta pra gente. Felicidade tem cor de plenitude. Acalma os amanhãs, abençoa os agoras. Adormece maledicências. Desnuda-nos de eventuais invejas de mão-dupla. Versa sobre inteiros. Aroma de Deus. Se no dicionário felicidade soubesse o que lhe cabe, verbete sonharia poesia.

3 comentários:

May Almeida disse...

Lindo Gui !

Nina disse...

Felicidade é utopia. Se a gente não pensar no assunto, ela acontece.

Renato Ziggy disse...

Felicidade é um dom da gente. Basta se permitir que ela vem, feito feixe de luz que brota e cresce aos poucos, pra depois explodir e contaminar o resto... bj!