domingo, 29 de abril de 2012

Amo-te...

"Amo-te como se ama ao vento, neste eterno descontentamento de alma poisada no ar. Amo-te sem loucura, cobiça, pecado. Amo-te porque tens que ser amado. Amo-te porque a morte existe, e em meu seio reside, assim como no teu olhar. Amo-te agora, e por ventura somente agora e num amanhã talvez... Amo-te tanto, que mesmo fraco o meu canto; amo-te. Amo-te com a bravura que me foi abençoada, amo-te com decência, amo-te com doçura, nobreza e liberdade existentes somente em virtude da verdade de um sem futuro te amar. Amo-te, Amo-te! Amo-te amar! E amo-te nesta doença de descrença que sobre mim se abateu; mas amo-te para um sempre, que tu, amor!, nunca foste meu".
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(Brunna. daqui.)

sexta-feira, 27 de abril de 2012

A Ilha de um homem só.


Que meu momento presente seja a confirmação de todas as escolhas feitas e desfeitas de outrora. Inclusive as que escolhi não fazer. Uma ilha reflete a ilusão por estar só na superfície. Ao mergulhar, percebe-se que ela é una com toda a terra. 

O homem só, anda acompanhado. O homem só, é na verdade, muitos. Como pode se reconhecer sozinho, quando apenas com o outro ele se expressa? Quando sozinho, não há medida e não há além? A semente em si, não cresce só. 

Gratidão é tema de dois; partilha também. Comunhão é tema de um. O Amor também. O dois que se torna um. Que o ciclo que se recicla, seja mais seu. Que o nosso caminho, seja de encontros e reencontros, cobertos pelas bençãos por nós merecidas! 

Que o novo nos brinde com harmonia, consciência e o inevitável crescimento. O que desejo a mim, desejo a você. E aquilo a mim desejado, multiplicado seja, colorindo nosso arredor. Pois sem a prosperidade e a felicidade do outro, como posso eu ser feliz também? 

Por isso quero o mais belo, o mais sonoro, o mais carinhoso e intenso em tua vida! A minha será apenas consequência! 

E saiba que a Ilha, é continente!

“Toda humanidade é um só volume. Quando alguém morre, seu capítulo não é rasgado, mas traduzido para uma linguagem melhor… nenhum homem é uma ilha, inteiro em si“. (John Donne)

terça-feira, 24 de abril de 2012

Quase...

Quase é uma palavra estúpida, penso eu. A vida tão imensa abarca tanto, mas há certas nuances nela onde o quase não cabe sob hipótese nenhuma. Quase pode nos deixar pela metade. Impedir nossa inteireza. Nos empacar no meio do caminho. Quem quase consegue, não consegue. Quem quase morreu, vivo está. O quase não deixa a natureza de certas coisas seguir, ir adiante. Não nos tráz paz. Quem quase é feliz, não é feliz. Quem esbarra no quase se desvia do seu desiderato e da realização. Realizar é ir além. É se completar. É florescer. Há de se querer o todo, de se exigir o inteiro, e não a parte. Não há de se contentar com metade do que poderia ser. d´um esboço, d´um vislumbre. Quase verdade ainda é uma mentira. Quase tem sabor de indecisão. De meio cheio, meio vazio; meio grávida; meio honesto. Quase é ficar preso no meio da escada rolante. Ficar na semente, no ensaio, no rascunho. Carro que quase pega, não anda. Quem quase casou, ficou pra "titia". Quem quase caiu, ou deitou ou de pé está. E quase que consigo achar um final pra este texto...


(Guilherme C. Antunes, vulgo "eu", em 18.06.10)

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Casamento...

Casamento não é coisa pra qualquer um. Ou melhor, pra qualquer dois.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Nestes lugares...

Quando eu não mais esperava que algo acontecesse, você (me) aconteceu, como parte de mim que desconheceu o espelho do meu quarto e o lençol da minha cama, até hoje pela manhã. Ao despertar, tudo passou então a fazer sentido. Tornei-me aquela parte de mim que nunca se sentiu realeza num café-da-manhã; que nunca se sentiu romance além de um livro; que nunca soube quão profundo se chega um suspiro; e que nunca se alegrou por uma espera, até então. Porque o que me tornei já me faz feliz por lembranças que ainda iremos ter. A minha boca, que antes nunca soube ser sorriso, hoje rima com a tua. A minha Alma, que antes nunca soube ser inteira, hoje habita nós dois. Quais não foram as filas em que esperei por um acaso entre nós? Quantas não foram as mesas de bar que não te enxerguei? Será que a sorte não se encontrava naquela esquina que nunca dobrei, ou naquela estação em que nunca desci? Ah, se antes eu soubesse em qual lugar do meu não-saber você por tanto tempo morou! Vivi fugindo da tristeza quando queria era estar contigo em qualquer lugar em que se é feliz. E o Amor ao se reconhecer no outro, se aconchegou. Curou nossos destinos num beijo. Adormeceu o tempo num abraço. E enquanto o mundo inteiro continua sua busca, serei aqueles passos a acompanhar os teus para então, saciando o desejo ardente do Amor por ser presença, sermos também poesia, pois não há outra língua fiel ao teu nome.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Só...

Se não fosse , seria tudo.
E se não fosse , teria tanto.
Se não fosse , seria junto.
E se não fosse , distante o pranto...
se é quando se sente, 
Ainda que mente na poesia.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Amizade...

 Amigos são essas contas de somar em que não é preciso aprender. 
Sabe-se quando se gosta. 
Sabem-se quando se gostam.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Medo das palavras...

Por que será que temos tanto medo das palavras? Não tanto da palavra escrita, mas da palavra pronunciada. Por que será que ainda acreditamos em palavras mágicas, rezas, abracadabra? Será que se eu agora, nesta gravação, em vez de te contar esta história, simplesmente parar por uns segundos, respirar fundo e te dizer: quero que você morra. Será que isso vai te ajudar a morrer? Será que isso vai te empurrar? Não sei". 
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(Carola Saavedra)

domingo, 15 de abril de 2012

A poesia...

"O poeta, em suma, cria, através da força analogante das imagens e dos símbolos, uma área de experiência imaginativa comum, onde os indivíduos e mesmo as épocas podem se encontrar, vencendo no imaginário as barreiras que separam fisicamente suas respectivas vivências reais. Assim fazendo, ele não apenas se comunica, mas intercomunica os outros homens. Daí a missão curativa, mágica e apaziguadora, que faz da poesia um dos pilares em que se assenta a possibilidade mesma da civilização: ela liberta os homens da noite animal, do terror primitivo que isola e paralisa. Ela reúne os membros da tribo em torno do fogo aconchegante e os faz participar de um universo comum que transcende as barreiras dos corpos e do tempo. Ela apazigua, reanima e torna possível, aos que eram animais assustados, pensar e agir".
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(Olavo de Carvalho)

sábado, 14 de abril de 2012

Ponte...

"Entre o agora e o agora,
entre o que sou e o que és,
a palavra ponte.


entrando nela
entras em ti:
a palavra liga
e fecha como um anel.


de um banco ao outro
há sempre
um corpo longo:
um arco-íris.
dormirei sob as suas cores".

(Octavio Paz)

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Silêncio...

Guardo comigo um silêncio que espera saber ser quando falar; quando no peito silêncio deixar de ser ou de estar. Se poucos são os corações que sabem pelo silêncio suas verdades, eu nada mais escuto. Calado, sobram-me palavras que me distraem deste não-ser; pois sou o silêncio imenso dos desertos; sou o inverno que desconhece o tempo de partir e permitir a primavera. Sou o segundo ante a sentença de culpa ou absolvição. Sou silêncio porque sou melhor não dizendo nada. Sou melhor sendo aridez a vendaval. Sou mais fácil sendo a queda do que caminho. O que sou me alivia das farpas que um dia fui; semente que para ser jardim, aguarda a sua própria morte; sou a árvore órfã de seus frutos. Carrego um espaço vazio em que o Amor deveria preencher; mas sou casa abandonada em que vivo com todos os tons de cinza de que meu silêncio é feito; uma sombra cansada de existir quando no silêncio de nós dois você, me disse adeus.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Metades...

 Quantos amores pela metade que vivemos, nos deixam inteiros quando se vão?

terça-feira, 10 de abril de 2012

Gaveta...

(...) às vezes encontramos o alento, a gentileza, a cura, uma benção, a criatividade, uma cor, um milagre naquele pequeno espaço entre o hoje e o amanhã em que nos distraímos; numa esquina-de-nós que nós mesmos não lembrávamos; naquela gaveta da Alma entre memórias, compromissos e planos tantos em que a própria Vida não soube se guardar.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Ambos...

O Amor às vezes queima, a dor tantas vezes arde. Ambos sempre curam.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Compensação...

Ele já tocou campainha e saiu correndo; já apertou todos os botões do elevador e botou pra passear. Ele já roubou doce do seu irmãozinho; colou moeda graúda no meio da calçada; colocou sal no café da sua tia. Ele já fingiu dor de barriga pra faltar na aula; já passou cola errada na hora da prova; jogou aranha falsa no colo da sua prima; já falou bem alto um monte de palavrões. Ele já colecionou revistas de mulher pelada; estilingou passarinhos; roubou manga no quintal do seu vizinho. Ele já botou apelidos feios nos seus amigos de escola. Ele já participou da brincadeira do copo; e brincou também de médico. Torcia sempre pro bandido nos filmes. Ele um dia deu rasteira em saci; matou formiga no grito; olhou por debaixo da saia da menina. Passou trote. Amarrou bombinha no rabo do gato. Dormiu na missa. E guardava dentro de si aquilo que sua vó sempre dizia: menino que não presta vivendo por agradar o coisa ruim, não tem mais salvação. Assim, acreditou no sermão do padre, na bronca da mãe, na surra do pai. Quando cresceu, cresceu torto sem o direito de se endireitar. Era nau naufragada e caminho sem volta, sentia ele. Tornou-se homem aflito, formado doutor para ajudar os outros e reparar seus danos; enganos eternos. E depois de sabedor das crenças que o prendiam, no dia de São Ninguém riu ele baixinho e pensou: tudo por causa desta culpa judaico-cristã tão besta. Tornou-se ateu. Achava o deus dos outros um cara preocupado em manter sua fama de mal. Coisa que ele mesmo resistia em não achar de si. E tal qual aquele rabino bacana, descobriu a verdade, e ela o libertou. Passou a seguir seu coração. A vida tornou-se templo. O Amor, o seu perdão. Sua família, porto-seguro. Passou então a pagar suas contas e a separar seu lixo; de dentro e de fora.


"Eu passava muito bem sem deus e, se utilizava o seu nome, era para designar um vazio que tinha, a meus olhos, o clarão da plenitude". (Simone de Beauvoir)

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Salvação...

Sopra a vida ao coração que de si se doe para não doer. Conta o Amor às nossas mãos que então divida para se multiplicar; sabe o espírito que o que por muito tempo se guarda não aguarda o próprio tempo, e então descolore, amarga, pesa. Reza o hoje ao amanhã que ainda não chegue, pois que a salvação não está tão além que não se encontre no outro e aqui mesmo. Pede a boca ao sorriso que volte mais vezes; pois que a salvação está na felicidade.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Acaso...

(...) aquilo que por muitas vezes nos escapa das mãos, mas que inevitavelmente encontra-se com nossos passos, chamamos destino. As sementes que na terra esqueci e hoje me encontro com flor, dou nome ao acaso. Onde minhas escolhas terminam, meu alcance sossega, o além que me cerca e o que o outro ensina, sei nome não. Pois ando ainda sabendo - e não por inteiro sabido - dos ciclos e do tempo; aprendendo o que em mim floresce e o que de mim o vento leva. O sabor do vinho, das preces e das marés. O que tem jeito de porão, janela ou quintal. O que tem raiz na Alma e nunca morre.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Tempo...

 (...) pra que saber do tempo se não vou morrer de Amor?

domingo, 1 de abril de 2012

Pra se morar...

 Seria o abraço, 
seja um longo ou curto,
dado dentro de casa
ou embaixo do viaduto,
com direito a aperto estalado
ou silêncio absoluto...
...lugar bom pra se morar?