segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Déjà vu...

Como poderia eu continuar sendo se não se era mais? Pois como poderia eu continuar sendo se não éramos mais? Pois como poderia eu continuar e querer ser se não sabia o que seria de nós? A ausência se fez presença tal que tornou o espaço real. O espaço entre nós dois que só cresceu, levando pra longe você e eu. Por isso as saudades tomaram o seu lugar. Tudo o que eu mais queria é que nós voltássemos a ser dois. Um querer meu, e que só em mim cabe. Expulsar as saudades como os infiéis do templo. Eu sou um Amor que serve pra você, sempre serviu. Um carinho que lhe cai muito bem. Um sorriso que se abre ao lembrar da cor do teu cabelo, da tua tatuagem, tua casa bonita, teu silêncio. Eu sou o que sempre fui, ainda que eu não seja mais. Como poderia eu continuar sendo se não se era mais? Pois como poderia eu continuar sendo se não éramos mais? Pois como poderia eu continuar e querer se não sabia o que seria de nós?

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Tempestade...

O que teria sentido nas tempestades,
O que seria sentido nos vendavais...
Saber a gaivota quando passeia no azul,
Andorinha sabe no vento quando voa lá do sul.
Quando saíres da tempestade
Já não serás a mesma pessoa.
Entre as tormentas, na verdade,
Aprendemos no tempo, com a idade,
Que a vida tão leve soa.
Versar a chuva o seu papel
caindo toda do céu.
...trazendo à terra prosperidade.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Póstumo...

 "Talvez seja a lembrança quem mais doa, 
do que a própria dor que agora ecoa. 
Pois a minha dor é poesia, 
de um verso meu em agonia, 
que por destino irá calar.
Morri sem saber viver. 
Vivi sem saber amar".

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Lágrimas...

Quando ela permitiu que as lágrimas não fossem mais suas prisioneiras, deixou-as correr de vez a desaguar no perdão. O peso de cada uma que não a permitia levantar sua cabeça e olhar para qualquer canto, tornou-se lembrança quase esquecida de ontem. Conseguiu caminhar. O sol a lhe aquecer era sua companhia. Era disso que precisava para reacender o coração.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Confessa...

O Amor confessa no silêncio o que nas palavras esconde. O silêncio é a renúncia da palavra que no Amor se rende.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Riquezas...

Quando desperto viveu miséria;
Adormeceu e sonhou riquezas,
Eram bençãos e não moedas;
Eram milagres e não tristezas.
Tinha ele nome, 
sentia ele fome,
no mundo era pobre,
além dele, não.
no Amor que vivia,
a Alma se ria
da esperança comia
como se fosse seu pão.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Talento...

Examinando percurso sinuoso da própria vida, reconhece seu sucesso em trancar as portas de oportunidades tantas e perder a chave. Sabe bem dar nó nos laços de carinho. Refinado na arte de por sempre o dedo na ferida, se faz excelente, não por cultivar flores, mas por dizimar jardins. Sabotagem é seu grilo falante; que lhe mostra como fechar janela com a lua lá fora. Tinge de branco, os quadros outrora em tons de Amor presenteados. Afasta habilmente o descanso e, convites, nega todos. Todos aqueles que lhe clamam para ser feliz, já que alegria se encontra apenas na hora de visita. E quanto mais quer próximo, mais afasta. Com suas mãos, sufoca o futuro, pois desconhece que o bom habita o porão de sua Alma, reconhecendo apenas a sombra de quem se é; e na casa escura de si, vive espantando fantasmas. Sua morada são suas prisões. E não há ninguém que explique, nem ninguém que não entenda, seu desespero. Mas não sabe se o talento que arrasta, é obra de deus, do diabo, ou dele mesmo.

(Guilherme C. Antunes, vulgo "eu", em 22.10.10)

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Castigo...

Pobre de espírito, vivia ele pedindo o que não dava e quando tinha, não se preenchia. Temeu contratos de cláusulas que escravizavam a Alma, mas cobrou juros altos pelas faltas cometidas. Sem coração, duvidava que os outros também pudessem carregar um no peito. Atraia pelas semelhanças: vazios que se completavam, loucuras que se conversavam, tons de cinza a enfeitar seus tortos pés. Seu pecado era fingir o que não sabia, ou o que sabia perfeitamente bem; enganando os outros na medida em que enganava a si mesmo. Mentia por não saber sua própria luz. Que homem assim não é fração de um todo que nos habita? Ele era por inteiro. E cada escolha sua abrigava uma aflição e um fracasso. Afastou seus amores; abandonou-se no amanhã. Ninguém mais o conhecia, apenas ele próprio. E não havia nada no mundo que pudesse libertá-lo deste castigo.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Semente...

O vento que aqui traz,
O vento que aqui traduz,
O silêncio que me faz mais
ser palavra que eu nunca fui.
Sou o sopro, sou o mesmo, sou engano.
Sou o avesso dos meus sonhos, 
o erro dos meus planos.
Sou o tempo senhor das sementes,
Se minto, sou jeito de chuva,
Se amo, inundo o peito que sente.