terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Resoluções...

Aquele frio que lhe cortava a alma, era vento forte de tempo fechado ou desilusão dos sonhos bonitos de ontem? Pois, insensível aos apelos do porvir, andava cego às gentilezas da vida e surdo às do coração. Abrigou da dor, no seu colo, a própria vida. E cansado de ser mau jardineiro a pisotear as flores que o tempo um dia o brindou com sementes muitas, queria agora semear presença a adoçar sorrisos e curar feridas. Queria voltar a ser quem nunca foi e, aprender o que ainda não havia aprendido: saber que no palco da vida, ele é na verdade, seu único e próprio antagonista. Cansado de refletir tristezas; passou a espelhar em si, amor; passando com isso a cultivar o novo e com o novo, o bonito. E enquanto bonito, não permitir ir embora a esperança. Há ainda de reconstruir caminhos antigos por onde a serenidade trilhou; a denunciar pelas suas próprias confissões a sua fé e sua vontade de recolher por lá, amor hibernando a despertar faminto. Queria também trazer você pra perto e fazer do teu colo, confessionário. E dos teus olhos, o seu espelho; da paixão, o seu abrigo; e do céu, o seu telhado. Carregava consigo tantas vontades engarrafadas; a guardar em vidro bonito o teu carinho para aqueles momentos em que o cansaço mais chama o nosso nome. Salvar-se-ia de vez, daqui pra frente. E sem resoluções a fazer, ele só queria se olhar e descobrir quem ele era de verdade.

(Guilherme C. Antunes, vulgo "eu", em 16.12.10)

6 comentários:

Anônimo disse...

Você escreve de uma forma genial... Desde que descobri este blog que venho cá todos os dias à procura dos seus textos. Não pare nunca de escrever!

Poeta da Colina disse...

Quem sabe não se descubra primavera.

Nina disse...

Porque que a gente se cobra tanto?

Sol disse...

E esse é, quase sempre, o nosso maior desejo: tentar se [re]encontrar...

Bruna Bianconi disse...

Eu acho importante a gente sempre ter essas reflexões e buscar saber quem realmente somos.
Acredito que a gente viva em constante mudança e embora possa ser meio "triste" às vezes, quando a gente menos espera se descobre.

Gostei muito da sua forma de escrever! Voltarei mais vezes.

Jaya Magalhães disse...

Tem uma música do "Teatro Mágico" que ficou na minha cabeça desde que li sobre o "colo confessionário". Será que você conhece? Chama-se "A pedra mais alta."

Enfim, o caso é que seu texto, outra vez, leva a gente a mergulhar. Onde? Em nós mesmos. Não houve ainda alguma leitura sua que não me fizesse parar, reler e me fuçar pra ver o que tem disso tudo aqui. Em mim.

Me olho sempre, através das suas palavras. Mas não quero nunca me descobrir.

Um beijo, menino.