segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Manoelito...

Um dia eu brinquei de ser Manoelito,
e do barro se fez o homem
e do homem a poesia.
Aprendi a ver no azul o canto dos pássaros
e na quina das mesas o encanto das coisas
Destreinei meu verbo letrado
que se encantou e amanheceu semente
passei namorar palavras
dormi de olhos atentos para nos sonhos
não me distrair das cores
Aprendi que infância não entende ponto final.
e desaprendi a amar, só para aprender a amar de novo
descobri que verso, valsa e vento são filhos dos olhos e da lua
Meu lápis é vocabulário de livro da própria vida.
Se o poeta tira da palavra o seu sustento,
faço hora-extra para a poesia.
Um dia pretendo me casar com ela.
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Palavrório tropeçoso metido (a besta) a dedicatória ao menino Manoel de Barros.
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"A voz de um pássaro me recita". (Manoel de Barros)

6 comentários:

Poeta da Colina disse...

Ele merece o palavrório, ainda mais tão bem construído.

juliana kalid disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Renato Ziggy disse...

Uau, Guilherme! Palavrório à altura... palavras escolhidas a dedo... sem mais por agora! Deixa eu ler aqui mais escritos teus...

Anderson Oliveira disse...

Que beleza de poema! Parabéns!

Geraldo de Lima disse...

"Aprendi que infância não entende ponto final.

e desaprendi a amar, só para aprender a amar de novo"

Com certeza, meus versos favoritos...

Parabéns pelo blog. Abraço amigo. Cuide-se bem...

Impressões de um cotidiano triste disse...

Tambem gosto de Manoel de Barros, alma simples, poesia completa de mundo!