quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Da grandeza e dos mosquitos...

Gente amarga quando cansada do mundo na poesia se adoça. Gente apressada quando na poesia se descansa, ganha o tempo das eternidades. Poesia vive a deixar realidade em apuros; quando vivem os olhos desavisados das paixões e dos mosquitos, atentos apenas às grandezas muitas e quaisquer sombras. Assim, despreocupamo-nos do meio-tempo, no descaso do meio-termo, distraídos do meio-fio. Somos metades abrindo mão de nossos inteiros, ignorando os espaços todos que preenchem as ruas e a nossa vida. Aguardamos por feriados santos, imergimos na água, submergimos no tempo, naufragamos nos sonhos. Aquelas marés de dentro que nos anunciam vendavais, aceitamos sem salvação. Esqueceram-se os homens do carinho de suas sementes; acreditamos no horóscopo. Esqueceu-se o homem da cura dos seus olhares; preferimos os óculos.

6 comentários:

Gabriela Castro disse...

Quanta verdade em uma poesia só!
Beijo meu, poeta!

Izabela Cosenza disse...

simsim!

=)

Impressões de um cotidiano triste disse...

Coisa muito linda manolo, com vossa autorização espero postar no meu Facebook teu blog. Seguindo...

Renato Ziggy disse...

Tenho pensado sobre isso um tanto... e tenho em esforçado pra não entrar nessa vibe, porque é bom demais enxergar os detalhes, as nuances, aquilo que quase ninguém vê. Faz a vida mais delícia de se viver... bjo!

Lu Rosário disse...

Lindo o seu texto, ele é de uma poesia incomensurável.

Beijos.

Anderson Oliveira disse...

Belíssimo texto!