quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Atrasos...

Sinto como se eu fosse tão-somente um rascunho, um vir-a-ser, um amanhã que não se é, e um ontem que nunca mais voltará a ser. Sinto como se vivesse perdendo tempo por ser uma soma de deslizes, planos feitos da soma de meus retalhos. Vivo na angústia de não saber se a escolha que não fiz pudesse ser a melhor, onde o final daquele caminho que não trilhei me aguardasse sempre a felicidade. Sinto como se estar "lá" pudesse ser melhor do que estar "aqui". E me incomodo apenas por não ser outro que não eu, devorando-me numa perda de tempo e numa perda-de-mim. Sinto que a maioria dos meus passos me atrasam e me levam pra longe de qualquer lugar onde eu deveria ir ou estar, e que as escolhas que fiz me prendem e jamais me libertam, pelo medo que cultivo em cativeiro. Sinto, sinto muito. Mas não aceito, enquanto também me resigno com minhas prisões e com meu dia-a-dia de repetições tantas que não se cansam de ser. Guardo poucos sorrisos na agenda. Aguardo a vida nas minhas impaciências. Eu namoro com as minhas frustrações sem ninguém saber.

7 comentários:

Jeanne disse...

Guilherme, me identifiquei muito com seu texto. A auto-análise é didática, perfeita!
E parabéns pelo blog. Muita coisa boa para apreciarmos em diversas vititas.
Abs

Sol disse...

E eu sinto tudo isso aí!

Beijo, Guilherme.

Gabriela Castro disse...

Ainda há tempo. Sempre há!

May Almeida disse...

Me descreveu.Sem palavras ( tô aqui )
Ótimo texto Guilherme

May Almeida disse...

Me descrever .Fiquei até sem ação ao ler .Quase como ler um trecho da minha biografia,rsr
Ótimo texto Guilherme :)

Jujuba disse...

Lindo Guilherme !

Josiani Rocha disse...

Tô pensando em algo pra dizer, pra vc imaginar o quanto eu gostei disso aí. Obrigada.

Um beijo!