quarta-feira, 11 de julho de 2012

Sobre conhecer...

A ação de conhecer envolve duas dimensões no próprio ato do conhecimento: aquele que repousa seus sentidos naquilo que se conhece. O que conhece e o conhecido; o que sabe e o que é sabido. O conhecer é o laço que revela e aproxima; é ponte entre sujeito e objeto, imersos na realidade mesma em que conheço. E ponte só é ponte para unir aquilo que separado se encontra. O amor não é conhecimento, mas uma absorção. É a dissolução dos papéis de sujeito e objeto; pois que é uma expansão que une aquele a este; assim, um é em dois e os dois são em um. O ente amado se faz presente naquele que ama. O sujeito perde a referência e suas razões. O objeto, os seus limites. Um dançarino ao dançar se confunde na própria dança, e a dança só é viva no próprio dançarino. Ao sumir um, o outro inevitavelmente desaparece, e vice-versa. Ambos se fazem presentes no amor. Sendo assim, o amor não é um conhecer, tampouco um conhecimento, mas uma presença. Uma presença que sabe por ser e estar ela mesma, presente no que é amado e no amor mesmo. Por isso a razão de nos perdermos por inteiro quando perdemos quem amamos, ou de nos encontrarmos por inteiro no amado quando o amor nos acontece. A lógica no amor só vai até a página dois de nós. E talvez não viremos nunca a entender o amor, restando-nos apenas vivê-lo. Eu vivo em nós e em nós eu sei aquilo que o amor é. Eu conheço a tua forma, teu cheiro, teus gostos, teu nome e todos os outros detalhes. Mas eu sei você porque te amo. O amor dá-nos a real percepção sobre a vida.



"Quem ama extremamente, deixa de viver em si e vive no que ama". (Platão)

3 comentários:

Priscila disse...

Lindíssimo texto... esse amor idealizado é de uma perfeição de arrepiar. :))

Poeta da Colina disse...

Um em outro, outro em um. Tudo se resume a reciprocidade.

RABISCOS disse...

Lindo e intenso texto.
De arrepiar
Parabéns