terça-feira, 24 de julho de 2012

O Rei-filósofo...

Houve uma época esquecida na distante noite dos tempos, reino em que a voz escondia o que o rosto mostrava. Um reino em que os cálculos mais perigosos eram as nossas ilusões e, que a lua dizia o que no céu se ensinava. Pois neste reino vivia um sábio. Um jovem sábio que versava sobre o acaso se parecer conosco; que sobre as coincidências dizia ser a lógica de Deus; que no auge do saber aconselhava ouvir as criancinhas; e que negava ao futuro o direito de nos fazer sofrer. E no alvorecer conquistado por sua Alma, tornou-se o Rei-filósofo daquele reino; que decretou sorrir ao invés de se curvar; que aconselhou perdão ao invés de incriminar; que lecionou às pedras a verdade dos castelos e aos porcos o sabor dos banquetes. E quando velho Rei se tornou, sentiu no peito a dor do reino que nunca cumpriu seus mandamentos. O velho Rei ali chorou; e chorou demais a se tornar riacho a desaguar no nunca mais. Mas quando esperança era apenas o amanhecer entre as montanhas, um novo sábio por lá apareceu. Que dizia ser gratidão nossa semente, a caridade mestra da razão, e que o homem nunca possuirá o Amor, mas aquele pelo Amor será sempre possuído. Liberdade era sombra e o cajado do novo sábio que por lá professava. Assim, sentiu-se o Rei ressabiado e dessabido pelo esquecer, quando ignorou que os outros, a Verdade jamais poderiam obedecer. Abriu mão do cetro e da coroa, perdeu-se ao se encontrar. Verdade voltou a namorar, quando suas leis deixou de prescrever. 

"Busquemos como buscam os que ainda não encontraram, e encontremos como encontram os que ainda buscarão”. (Santo Agostinho)

2 comentários:

Evelyn Dias disse...

"O verbo ler não tolera o imperativo, temos que seduzir, provocar, enamorar.
Ler por prazer é algo contagiante.
Tudo isto servirá no futuro como verdadeiros anticorpos para o choque invitável contra a mediocridade, a hipocrisia e a vulgaridade quotidiana, contra a aridez do espírito, a insensibilidade e o declínio das faculdades sensitivas da beleza."

[Biblioteca José Saramago]

Venho te Parabenizar pelo dia do Escritor! Que continuemos a encantar sempre!
Abraço.

http://apoetaesuasletras.blogspot.com.br/

Joakim Antonio disse...

E o velho voltou a ser novo!

Lindamente escrito Guilherme, assim como o blog e suas imagens.


Parabéns.