segunda-feira, 18 de junho de 2012

O Império do amanhã...

Sabe a Alma entre as folhas mortas do outono que o vento virá, inevitavelmente, mesmo que se demore entre as colinas, soprar sementes deixadas por entre as folhagens pelos passos distraídos ou apressados de nós, ao longo das estações, para além dos nossos pequeninos olhos; além do alcance do nosso tempo. E assim, sem nos avisar, levam-nos à primavera que se encerra em cada uma destas sementes. Porque sabe também a Alma ser o vento o senhor das promessas e as sementes os sonhos do jardim; ainda que se namore com as descrenças. O Tempo - arado da terra e da história que aguardam por nossas mãos - semeiam escolhas que nem sempre vingam ao se perderem entre os destinos, e escolhas que nos tornam continuidade no ser e no estar, vivos no eco das palavras confessadas, na lembrança do outro, no legado deixado a um filho, no beijo roubado, no amassado do lençol, na carta guardada, no cheiro da roupa ou qualquer outra cena de nossas vidas, mas sempre no império do amanhã.

4 comentários:

Gabriela Castro disse...

E começa tudo outra vez, numa nova estação.

Nina disse...

Alma, olho, espelho. Janela da mesma, entranha de si.

Juliana Lira disse...

É a mágica da vida que nos conduz nessa brisa.

Beijos

Poeta da Colina disse...

Que o vento leve, uma vida tem que ser livre para ir e voltar.