quinta-feira, 10 de maio de 2012

Lentes...

Carrego no bolso da Alma, muitos óculos de muitas lentes de muitas cores, em que as troco conforme as conveniências do coração. Quando ele se incomoda, engana, amarga, fere, sofre ou sangra, são as de vidro turvo com que sei das paisagens e dos reflexos de dentro. E quando coração voa, dança, cria, ama e amém, mudam-se as lentes também. Vejo a vida conforme as cores que carrego e as marés de mim. Houve épocas em que me acostumei com os tons de cinza, e em outras só via cor-de-rosa, ainda que nos meus óculos coubessem todas as cores do infinito. Já sofreu minha Alma de miopia séria, ao distorcer os laços, retorcer os fatos, inverter as falas e interpretar o sentido de coisas que nem sentido tem. A miopia engana a distância dos corpos e confunde os sentimentos. Guardo sem querer guardar, lentes que diminuem doçuras e apequenam sutilezas, e outras que aumentam e exageram os problemas, criando monstros e cultivando medos, encontrando agulhas no palheiro, pelo em ovo, transformando garoa em tempestade, ouro em chumbo, dia em noite, trilha em muro de qualquer coisa que vejo.  E com o desgaste das cores que levo, reinam a sombra e a cegueira - em maior ou menor grau - no coração que não mais enxerga o amanhã e não entende as promessas, não busca o inteiro e se contenta com qualquer coisa, renega o Amor e não mais sabe da Vida. Às vezes basta um só raio de sol na janela da Alma pra amanhecer esperança no jardim de amores e fazer do azul do céu, nosso telhado; mas na repetição dos dias de límpidas ilusões e verdades confusas, coração quando cansa a vista, adormece.

13 comentários:

Poeta da Colina disse...

A paisagem parece essa maré que a gente não sabe como vai acordar.

Bruna dos Anjos disse...

Noossa, simplesmente lindo o seu texto. amei!♥

Posso usa-lo em meu blog (http://enredodeideias.blogspot.com.br/) claro com s devidos créditos?

beijos

Tânia F. disse...

Texto realmente lindo, já havia esquecido o puro encanto que é estar na sua ilha. Parabéns!

Diego Gatto disse...

Lisérgico!

Se puder, dê uma passadinha no meu espaço: http://fagocitandosp.blogspot.com/

Yohana Sanfer disse...

Lindeza de verdade...bjs

Unknown disse...

Especialmente maravilhoso ou maravilhosamente especial... assim senti teu texto, assim senti teu blog. Belevilha (é beleza + maravilha). Bjks

Luciana Santa Rita disse...

Oi Guilherme!

Lindo o texto! Esse é o tempo do descanso e o do viver.

Beijos.

Lu

Anônimo disse...

Cada texto seu que leio é um banho que dou na minha alma tão carente de cores, belezas e doçuras...
Hoje, me pus a pensar nessas lentes cinzas que que me chegam aos olhos quando perco o colorido de tantas outras que perdi nessas bolsas imensas que carrego, às vezes tão cheias de coisas desnecessárias... Muitas vezes sinto-me desfalecer diante da negritude de alguns momentos, mas...
"...Às vezes basta um só raio de sol na janela da Alma pra amanhecer esperança..."
E tudo o que preciso é encontrar minhas lentes verdes...

Beijos, meu MENINO-POETA!!!!!!!!!

Anônimo disse...

Tentei fazer meu comentário, mas fui impedida, sabe-se lá por que.
Tudo o que escrevi sumiu e o tempo está curto demais para refazer...
Deixo registrado minha admiração por ti, em cada texto lido, lindo.
Beijos, menino-poeta!!!!!!

Anônimo disse...

Encontro seu blog por acaso. E se o acaso realmente existir, persiste. Pois foram horas de caos cibernéticos e em vão, até me encontrar com você. Amor á primeira lida.

Keroca.

Carolda disse...

É bem isso. Também já sofri de miopia séria. Ainda bem que teve cura. Mas mais importante que enxergar, é aceitar.

Fllor de Lis... disse...

Lindo seu texto! Parabéns. ;)

Fabi disse...

lindo !!