quinta-feira, 12 de abril de 2012

Silêncio...

Guardo comigo um silêncio que espera saber ser quando falar; quando no peito silêncio deixar de ser ou de estar. Se poucos são os corações que sabem pelo silêncio suas verdades, eu nada mais escuto. Calado, sobram-me palavras que me distraem deste não-ser; pois sou o silêncio imenso dos desertos; sou o inverno que desconhece o tempo de partir e permitir a primavera. Sou o segundo ante a sentença de culpa ou absolvição. Sou silêncio porque sou melhor não dizendo nada. Sou melhor sendo aridez a vendaval. Sou mais fácil sendo a queda do que caminho. O que sou me alivia das farpas que um dia fui; semente que para ser jardim, aguarda a sua própria morte; sou a árvore órfã de seus frutos. Carrego um espaço vazio em que o Amor deveria preencher; mas sou casa abandonada em que vivo com todos os tons de cinza de que meu silêncio é feito; uma sombra cansada de existir quando no silêncio de nós dois você, me disse adeus.

5 comentários:

Poeta da Colina disse...

Silêncio e solidão é muitas vezes o que temos, mas ao menos é sincero.

Izabela Cosenza disse...

o silêncio da construção, guilherme.
que é quietocinza por que é, precisa ser, e tb para dar espaço para cores outras chegarem. elas demoram. mas sempre chegam.

tenha um dia leve.

beijoamarelo

Agno Flávio disse...

Guilherme...que belas palavras carregadas de tanto sentimento e poesia...sou encantado por seus escritos. muito obrigado por iluminar meus dias com sua poética! Grande abraço!

Felicidade Clandestina disse...

ando tão ausente de silêncios...

Ana Aitak disse...

me pareceu tão intenso quanto um grito!

Só quem carrega um silêncio assim sabe. Eu sinto que sei.

Texto lindo, parabéns!