terça-feira, 24 de abril de 2012

Quase...

Quase é uma palavra estúpida, penso eu. A vida tão imensa abarca tanto, mas há certas nuances nela onde o quase não cabe sob hipótese nenhuma. Quase pode nos deixar pela metade. Impedir nossa inteireza. Nos empacar no meio do caminho. Quem quase consegue, não consegue. Quem quase morreu, vivo está. O quase não deixa a natureza de certas coisas seguir, ir adiante. Não nos tráz paz. Quem quase é feliz, não é feliz. Quem esbarra no quase se desvia do seu desiderato e da realização. Realizar é ir além. É se completar. É florescer. Há de se querer o todo, de se exigir o inteiro, e não a parte. Não há de se contentar com metade do que poderia ser. d´um esboço, d´um vislumbre. Quase verdade ainda é uma mentira. Quase tem sabor de indecisão. De meio cheio, meio vazio; meio grávida; meio honesto. Quase é ficar preso no meio da escada rolante. Ficar na semente, no ensaio, no rascunho. Carro que quase pega, não anda. Quem quase casou, ficou pra "titia". Quem quase caiu, ou deitou ou de pé está. E quase que consigo achar um final pra este texto...


(Guilherme C. Antunes, vulgo "eu", em 18.06.10)

4 comentários:

Bruno Batiston disse...

Talvez seja porque este texto não termina em si, mas encontra fim naqueles a que chega e que entendem a importância de não viver no quase - até porque, se a gente for esperar por alguém que nos complete...

Priscila disse...

Interessante... "quase", quase sempre passa a sensação de derrota, de frustração: "quem quase consegue, não consegue". Por outro lado, quanto mais o "quase" se aproxima da meta, mais eu me sinto estimulada a continuar... quem sabe da próxima vez?? Prefiro o "quase" ao "nunca". :)

Izabela Cosenza disse...

o quase tem seu encanto. um quasebeijo, a palavra quasedita, o quaseabismo...

Poeta da Colina disse...

Talvez seja o quase, um vislumbre do possível.