quinta-feira, 8 de março de 2012

O mundo...

Quando renunciou à esperança, nela o Amor se resumiu a umas caixas de bombom e alguns cartões vermelhos - cada um com um nome diferente e todos com as mesmas frasezinhas clichês - vez ou outra no passar dos meses. Passou a pensar que era impossível amar mais do que jamais havia amado; e que fosse impossível morrer de Amor mais do que antes havia morrido. Não acreditava ela mais no Amor, como nunca antes pudesse ela ter acreditado. E enquanto aguardava o melhor convite, o melhor momento ou a melhor companhia, dava sempre um jeito de fugir, de se esquivar, de nunca atender. 'Se enxergá-lo é difícil, não ver é ainda pior', pensava; por isso fechava todas as portas para ser feliz só amanhã. Menina era muito fácil em cumprir promessas e outras em jamais fazê-las, quando o assunto era se entregar. Sua Alma não era mais daquele tempo. A vida não batia mais naquele coração; era um engano da sorte que pudesse continuar pulsando. Deus errou a hora da sua morte quando viva deixou seu Amor partir, abrindo um vazio quase-infinito dentro do peito. Vazio que lhe dava a oportunidade de fazer o mundo inteiro nela caber, ainda que nele, ela não nunca mais se encaixasse.

"Ajusto-me a mim, não ao mundo". (Anaïs Nin)

9 comentários:

mfc disse...

Um texto emocionante a que não se fica indiferente!

Débora Cecília disse...

pobre menina, morreu ainda em vida!

Poeta da Colina disse...

Pois simplesmente há o que não foi feito para depois. Não há como sempre acreditar no amor, mas não precisamos fazê-lo para sentir.

disse...

Por que a tristeza é tão bonita, né?
A frase que pra mim se sobressaiu no texto: "fechava todas as portas para ser feliz só amanhã." Perfeito.

Mari disse...

Guilherme
que surpresa, venho lhe agradecer a visita e tão belas palavras que deixaste em minha casa de cor, e ao chegar aqui, deparo-me com tamanha beleza!

Abraços da Mari (As cores que sou)

Solange disse...

a vida segue seu curso, independentemente do que somos ou queremos..

bjs.Sol

Joselito de Souza Bertoglio disse...

O amor tem sempre várias faces, que variam conforme a capacidade que temos de decifrá-lo e as vezes ele ganha contornos doloridos, Muito bonito o teu blog, seus textos são suaves de se ler com certeza voltarei mais vezes, já estou lhe seguindo, escrevo alguns versos e se você desejar da uma passadinha no meu, me sentiria honrado com a sua visita http://joselito-expressoesdaalma.blogspot.com se gostar segue lá, parabéns pelo espaço!!!

Gabriela Marques disse...

Minha primeira vez por aqui, e já me deparei com um texto tão bonito...
Vou aproveitar a citação de uma de suas leitoras, a Jô, concordando com ela no fato da tristeza ser tão bela. Eu mesma, às vezes, cutuco velhas feridas para fazê-las doer. Tempos melancólicos nos dão inspiração.
Poeta é assim mesmo, vive triste, faz sangrar,escreve coisas bonitas para os olhos alheios alegrar.

Beijo doce.
Ótimo fim de semana pra você.
Fico por aqui admirando.

Sahara Higino disse...

Aqui há enlaço confortante.
E, de toda prosa, a morte
viva é de fato; maldita.


Fico a seguir-te, rapaz.
Para não perder as linhas
suas, por um triz. Paz.