segunda-feira, 12 de março de 2012

Multidão...

Se eu dissesse que sou o mais feliz entre os felizes, por que acreditariam em mim? Ou se declarasse ser a felicidade o meu próprio nome, por que me gostariam aqui se a tristeza que neles habita tanto se incomoda? Pois se digo que sou um triste, aí então me aceitam e me entendem e minha língua falam. Mas se sou feliz, sou estrangeiro, um passageiro de além-mar. Os homens não gostam de ouvir o que não são, ou saber das boas novas que não se acham dignos, ainda que todos sejam. Ocupa-se o homem, assim, com sua miséria e com as alheias; distraindo-se e permitindo que miséria não aceite ser algo além daquilo que ela mesma é, para então quando ameaçada, refugiar-se entre seus iguais. Por isso a tristeza de um, no outro se reconhece, e nos dois ganha sua força, sua forma e seu espaço, uma muleta, um conforto, uma devida atenção. Se sou feliz, feliz sozinho. Se sou tristeza, sou multidão.

10 comentários:

Luzia Trindade disse...

Pura verdade isso, assim que as pessoas costumam reagir diante da felicidade alheia.

Boa semana:)

Alice disse...

Ser feliz com o outro, com a felicidade do outro? Só os grandes o fazem!

Poeta da Colina disse...

A dor é solidária.

Alegria é um quadro lindo, que não conseguimos vender.

Yohana Sanfer disse...

Verdade...será uma espécie de amardilha do nosso ego, amigo poeta da ilha?
bjs

mfc disse...

As duas frases finais são de uma verdade que nos deve sobressaltar!
Parabéns.

Solange disse...

muitos são felizes com as próprias tristezas..

bjs.Sol

Rafaelle Melo. disse...

Que reflexão profunda esta. E digo mais, quão importante é pensarmos sobre as coletividades da nossa tristeza e a solidão das nossas alegrias.

Talvez não precise ser sempre assim.
Comecemos então a partilhar a felicidade, mesmo que como oásis no deserto, que quase sempre é visto por apenas um olhar, mas nem por isso precisa ser delírio.
Tentemos, pois.

Beijo.

Deyse Batista disse...

Eu senti tanta força e verdade nas suas palavras que ainda que pensasse o contrário, teria sido convencida em poucas linhas. Apaixonante.

Beijos, Deyse.

Be Lins disse...

Oi, Guilherme!

olha, quero agradecer muito suas palavras deixadas carinhosamente no meu blog. Eu adorei e me senti feliz. Sozinha, mas feliz.

Tristes sempre seremos na multidão.

Seu blog é muito inspirador.

Grande beijo

Be

RosaMaria disse...

Somos tantos...

E ao mesmo tempo somos um.

Essa é a vida, a contradição do existir e do sentir.

Enquanto contradigo-me, existo.