terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Castigo...

Pobre de espírito, vivia ele pedindo o que não dava e quando tinha, não se preenchia. Temeu contratos de cláusulas que escravizavam a Alma, mas cobrou juros altos pelas faltas cometidas. Sem coração, duvidava que os outros também pudessem carregar um no peito. Atraia pelas semelhanças: vazios que se completavam, loucuras que se conversavam, tons de cinza a enfeitar seus tortos pés. Seu pecado era fingir o que não sabia, ou o que sabia perfeitamente bem; enganando os outros na medida em que enganava a si mesmo. Mentia por não saber sua própria luz. Que homem assim não é fração de um todo que nos habita? Ele era por inteiro. E cada escolha sua abrigava uma aflição e um fracasso. Afastou seus amores; abandonou-se no amanhã. Ninguém mais o conhecia, apenas ele próprio. E não havia nada no mundo que pudesse libertá-lo deste castigo.

7 comentários:

mfc disse...

Ele era ... ele mesmo!

Poeta da Colina disse...

Os limites são nossos.

Daniela disse...

Mentir é se anular , e se anulando vamos nos desconhecendo até ninguém mais nos conhecer .

Bjoo :)

MonaLisaKempfer disse...

Talvez a liberdade esteja no final de um arco-iris qualquer... destes que colorem todo cinza ;)

RosaMaria disse...

As dores e os dissabores nos prendem de uma forma, que não conseguimos mais nos libertar.

É triste, mas é bem real.

Um beijo meu amigo.

Shay Carvalho disse...

Amo o jeito como escreve.
Me encanta.

Izabela Cosenza disse...

o blasé como alimento e a armadura como vestes.

excelente texto!