segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

O monge que sabia voar...

Você não é nova aqui. Nunca foi. Você é mais do mesmo. Teu signo. Tuas reticências. O jeito que escreve. Você é meu padrão; minha história gasta. É a mesma casa velha de outrora que ouso decorar com teu nome; com tua cor. Mas que canta outras músicas, que prova outros pratos. E já que não consigo te matar, mantenho-te viva, pois você é a lição que ainda não aprendi. O erro que ainda não superei. É o livro de páginas repetidas em que encontro minha feiúra e minha verdade. Em que vomito meu azedume e banco o mocinho; que adoça a vida alheia. E o enredo que é teu, fala de mim. Do outro fruto que colhi, tens o mesmo gosto. Chamo pelo novo e é o velho que ecoa. Reconstruo o passado que se faz presente. E não consigo achar um final para você. Para nós dois. Você é a mesma que inevitavelmente me persegue e me encontra, já que andamos em círculo. Por saber meu endereço. Por saber em que canto de mim guardo meus segredos. E você vem sempre do mesmo jeito, mesmo que de outras formas, pra me lembrar que não estou aqui para reclamar, mas para transcender.


(Guilherme C. Antunes, vulgo "eu", em 02.09.10)

9 comentários:

Solange disse...

eu também tenho um amor teimoso..
que quando me escapa, corre e se esconde dentro de mim..

bjs.Sol

Débora Cecília disse...

no final os amores são sempre os mesmos, mudam de roupa, exibem curvas diferentes, mas são tão semelhantes esses amores, que eu chego a concluir que quem muda realmente somos nós mesmos.

Poeta da Colina disse...

E onde é além?...

Roberta Mendes disse...

Há amores que persistem em nós e incomodam, agudamente, nos dias nublados. São como um reumatismo da alma.

mfc disse...

Tudo tão semelhante...afinal!
Surpreendamo-nos então com a similitude!

Heat disse...

meus amores teimosos sao platonicos.

Juliana Lira disse...

Nunca fui nova em parte alguma, sou mais velha que o contar do tempo. Tantas vezes banal, tantas vezes peça de produçao em massa.
E as histórias imortais,musicadas com novas melodias,apreciadas com novos sabores (ou seriam os mesmos?)limitam o caminho onde vez por outra pousamos e entoamos as mesmas notas amargas.
No fim talvez nao haja um final e a casa que buscamos seja justamente o lugar de onde partimos.

Milhoes de beijos

IsaBele disse...

Me disse aqui...

JasonJr. disse...

Levei elas pra pasear no meu cantinho!!