segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Libertação...

O Amor é a entrega que de nós nos faz inteiros. O Amor é a nascente e sua foz; é o mergulho e o flutuar. É dimensão do mistério que nos toca a inspirar; é o caso do fruto com a semente; o amanhã com o depois. O vício com a virtude; o leve e seu contrário. O Amor é o agir e o contemplar. Amar é acolher o inexato e o certeiro; o impossível e o esperado. É o sereno e o cansaço; é ansiedade e desapego. Amor é corda-bamba em que caminhamos seguros; a sabedoria que nos prende aos laços que também nos deixam livres. É gratidão a se saber no silêncio e no olhar. É o adormecer e tão logo o despertar. O Amor é uma escolha que a si renova e se expande na busca de se manter o mesmo, e ao mesmo tempo, maior. É o espaço não-sabido entre os amantes em que confiar os faz presença. É o espaço entre e dentro de nós que permite o crescer, a criatividade e a comunhão. É semente que busca realizar-se no estrito espaço entre o céu e a terra. O Amor se vê na posse destes dois. É o chocolate, mas também o anti-ácido; o doce e o amargo. É a lucidez e a ressaca. Amor é a mística e a dogmática; a teoria e sua prática. Mestre da paixão e do desejo; mãe dos sonhos e do suspirar. O Amor é o emburrecer da Matemática, em que dois são um; onde se multiplica ao partilhar. O homem no Amor não tem escolha, pois compaixão é sempre a resposta. Sua luz é sua única cor. E quando no eclipse da Alma, o medo chama seu nome. O medo é o Amor que se envergonha; que tomou um susto; é um verão que sente frio. A raiva é sua filha rebelde; o cansaço seu velho manto; a covardia seu árido reino; a sombra sua única cor. Medo é Amor que não se vê no espelho; eis que também nos permite avançar, abandonar gaiolas e crenças que enfeitamos com tantos nomes, mas que nos sufocam. O medo é o pulo pra fora, a dor que rasga mas que cura, a cegueira que nos torna mais hábeis em escutar, é o tropeço que nos atira ao precipício e releva nossas asas; é o sair pela tangente. E o medo ao se lembrar Amor, com novo nome se batiza: Libertação.

"(...) mas eu não estou interessado em nenhuma teoria; em nenhuma fantasia; nem no algo mais. Amar e mudar as coisas me interessam mais". (Belchior)

14 comentários:

mfc disse...

Um discorrer lindo e sorridente sobre o amor!

Chris disse...

Nossa, muitooo bom. Sério, umas das melhores poesias que já li. Aplaudido de pé. Li como se sentisse, como se fosse em mim.. Maravilha. Certamente ainda o lerei muitas vezes.. Abraços poeta

Heat disse...

Eu não sei se sei ainda amar assim. Ou se vou amar assim, de novo.

*Simone Poesias* disse...

Como sempre seus poemas são maravilhosos e nos fazem refletir muito. Adorei!
Também quero agradecer a honra de sua visita e comentário. Fiquei muito feliz. Volte sempre!!

Bjosss XD

Brunna disse...

Que belo texto. Amar é libertação, é uma mistura de sensações, como se quando mergulhados nele sentimos tudo embarcados neste único sentimento. Amar de diversas maneiras é se libertar.
Sobre o teu comentário no blog, quem à noite nota a beleza da Lua não pode dizer que está completamente sozinho, não é?
:)
Beijo.

cátiacastro disse...

Gostei imenso deste texto assim como do comentário. Tão bonito e ao mesmo tempo tão verdadeiro! :o

Solange disse...

saudade daqui..
das suas palavras, que muitas vezes matam minha sede..

bjs.Sol

Carol Righetto disse...

O amor é a pluralidade singular. Um inteiro que abriga várias partes de um todo.
Abraço!

Monalisa Macêdo. disse...

Perfeito, Guilherme.
' E o medo ao se lembrar Amor, com novo nome se batiza: Libertação.'
Porque amor é sempre mais do que a gente possa imaginar e ainda assim é tão simples.
Beijo.

Ana Jácomo disse...

"E o medo ao se lembrar Amor, com novo nome se batiza: Libertação."

Presente bom mesmo nesta vida é a gente poder se reinventar.
Gosto muito do seu texto. Diz à beça ao meu coração.
Beijos pra você.

Madá disse...

Amor? Não, eu não tenho definições para o amor, eu tenho sentidos. Eu sinto. E sinto muito.

Abracinho, Madá.

(... Ando preferindo jabuticabas...rsrsrs)

Pâm Lobo disse...

"Amar é acolher o inexato e o certeiro; o impossível e o esperado"

Quando li essa frase, percebi que você descreveu o amor de forma simples e bela. E tem pessoas que ainda tem medo de amar e se sentir amada! É estranho né, como alguém pode temer um sentimento tão belo?

http://pamlobo.blogspot.com/

Yohana Sanfer disse...

Lindo texto, do início ao fim! Amor como sinônimo de libertação...quando a gente sente, entende.
Parabéns Guilherme!

Rita Ribeiro disse...

Amor um grande e belo dilema.
Lindo texto, Guilherme!

Bjs