quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Presença...

Eu não imponho limites pra
perteza, querência, amância,
luzeira, vivência,
nem pra gramática.
Eu verso, ela valsa.
Eu voo, ela via.
Eu soo, ela ria.
Eu sou, ela é...
num amanhã perfumado e um depois sorridente;
uma ponte e um laço,
um beijo e um abraço,
um amor, um amém. 
De mim pra você,
e no espelho também.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Amante...

Amar se ama quando se abraça, quando se escuta, quando se entende, quando se perdoa, quando se espera, quando se alivia, quando se aflige, quando se carece, quando se é amado, e quando não. Amar se ama quando se acolhe, quando se envaidece, quando se admira, quando se elogia, quando se cala, quando se fala, quando se tem, e quando falta, quando se merece, e quando não. Amor é a semente na mãe, o cuidado do pai, o crescer na amizade, viva cor no sexo, perfume na gratidão, fruto na caridade, florescer no amante, comunhão em Deus. E só Ele sabe do meu suor e dos meus avessos que levo no caminho para tornar plena cada uma destas palavras, em verbo vivo na Alma, enfeitando-me nos sorrisos e lágrimas, chegadas e partidas, noites e dias que me contam com a voz de dentro que diz que amar se aprende amando.

domingo, 27 de novembro de 2011

Requintes...

O bom da saudade é que a gente pode aniquilá-la juntos, com requintes de crueldade e beijos deliciosos.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Eternamente...

Eternamente..
.. é ter na mente
o infinito.
Eternamente,
na mente mente o impossível.
Eternamente,
e ternamente
o Amor sabido.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

A dança...

(...) e eu acho tudo isso muito engraçado, do avesso, colorido. Por tantas vezes tentei entender mas não entendi. Por tantas vezes eu queria ficar, mas aí eu parti. Então desisti. Passei somente a sentir. Sentir a vida se fingindo de vento pra soprar doçura no rosto. Sentir a esperança se fantasiando de sol pra tocar minha janela. Sentir o tempo se vestindo de noite pra tornar mais doce o nosso encontro. Sentir o que não entendo, mas celebro. Convidando a vida pra dançar comigo, colada ao meu corpo... e à minha Alma.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Girar...

(...) eu já me agarrei às ilusões como se pudesse descansar no horizonte; converter mentiras em verdades, ou pesadelos em sonho bom. Fui de me encantar com tantos reflexos e esquecer de mim; ocupando-me com quadros sem querer saber de artista; esquecendo da vida ignorando o tempo. Consumindo a Alma por caminhar sofrendo. E agora, abro mão da lembrança em troca de qualquer novidade, e do mistério no lugar de qualquer segredo que me distraia. Troco o aconchego de um abraço pelo calor do sol; o beijo na boca pelo caminhar no pasto; um elogio pelo cantar dos pássaros. Esqueci do teu perfume ao me embriagar com as flores; esqueci das tuas cores ao me enamorar com a escuridão; esqueci de entender saudades quando me deixei apenas sentir. E qualquer leve sintoma de emoção hoje me comove e me renova e surpreende com as mesmas esquinas e ruas que levam o teu nome. Por isso deixei cidade pra me encontrar no céu, onde confesso estrelas e tempestades, nuvens e barulhos que o vento carrega à espera de saber qualquer silêncio que me abrigue. E então me encanto com qualquer poesia nos olhos, uma atenção dispensada ou um sorriso nos lábios a me convencer buscar-me inteiro, ainda que eu parta, minta e desminta o meu querer. Ainda que acabe todo comigo. Sou tão medroso que me satisfaço com um amor inventado; mas também sou destemido por viver só no amanhã, onde me enfeito com alguma cor que eu goste ou um acaso onde eu possa escolher as falas, mesmo que eu repita o mesmo roteiro e os mesmos erros. Evito sofrimentos no carrossel dos dias que passam sem me levar a lugar nenhum; mesmo que o mundo não pare de girar.

sábado, 19 de novembro de 2011

Sem lugar para você...

Você que adora apontar erros nos outros e, quando não os encontra, resolve inventar, despeça-se e não volte mais. Você que não consegue desprender-se da comparação com o outro e inveja tudo aquilo que o vizinho tem e você deseja, dê seu prefixo e saia do ar imediatamente. Você que só sabe ver maldade nos outros porque se nega a enxergar a sua própria, não precisamos mais dos seus serviços. Você que delira achando que o mundo inteiro está contra você e, justamente por isso, não consegue ser amigo de ninguém, siga seu rumo sem olhar para trás. Você que fura a fila da vida achando que pular etapas é uma baita vantagem, vá e não volte. Você que só enxerga o lado de fora e ainda teoriza sobre ele achando que isso faz de você um intelectual, risque-nos da sua listinha. Você que é incapaz de amar alguém e ainda machuca quem lhe oferece afeto, suma sem deixar telefone e endereço. Você que mente até acreditar e não se responsabiliza pela própria mentira quando ela dá errado, vá pregar em outra freguesia. Você que se faz de vítima para manipular quem lhe quer bem, nem perca seu latim. Xô, você que não consegue ser feliz e repudia a felicidade dos outros. Esqueça que existimos. Livre-nos do seu vodu, mau olhado, bad vibe, inveja, má influência. Aqui a coisa é diferente, aqui não alimentamos a doença de gente do seu tipo. Aqui não tem lugar para você.
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(Alex)

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Inverno...

O Amor que você roubou quando fugiu pra longe sem me avisar, quando você pôs fogo em tudo sem daqui me salvar, transformou Deus no diabo, virtude em pecado, encanto em descaso e meu sossego em rancor. Corri do eterno a me entregar pra dor que restou pela teu partida; e nas veias hoje corre o veneno que me castiga a querer te castigar também e te cobrar pela despedida. Rasgo a pele com doçuras e me sufoco entre os tantos sonhos que colhi no teu abraço. Por ora escolhi coloridas ilusões a enfeitar a vida cinza que me alivia do desgosto; protegendo-me da luz que me aponta pra qualquer amanhã sereno. O céu infinito esmaga o peito com o peso das estrelas no árido deserto que chamo agora de sentir. E no caminhar sem rumo e sem jeito, nas lágrimas mato a minha sede. Teu abandono ainda me fere nas notas mais agudas e os teus erros, ecoam na minha memória nos mais vivos tons. Queria destronar o passado como página amarelada pelo tempo que desmentiu suas palavras, pois você arrancou da minha boca o sabor do sorrir e do meu corpo a leveza dos passos. Você despertou minhas sombras que no chão dormiam enquanto inocente eu confessava minha gratidão. Sou moribundo a ter querido morrer antes mesmo de você me matar; por isso, tornei-me a poesia da morte que sopram os lábios querendo calar tuas lembranças. Desconheces como a ausência tua arrancou meu coração do peito, e minha alma que por aqui restou, amor jamais poderá sentir novamente. Não há mais amargo que possa impedir o meu verão de chegar. Já é inverno.


"Por que o meu sofrimento não pode, pelo menos, ser dotado de alguma dignidade? Quando os outros autores sofrem, é uma coisa épica ou cósmica, ou então avant garde, mas quando eu sofro é palhaçada". (Erica Jong)

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Morada...

É no céu em que nos encontramos quando saudade é sentida e pro alto levamos os olhos. É no céu em que sopramos os nossos mesmos sonhos. É no céu em que nos sabemos além daqui e os passarinhos namoram; em que as estrelas lá moram, a nos ensinar o infinito. É na terra em que meus pés descalços sentem o mesmo chão que o teu. É na terra em que espero tua mão encontrar com a minha. É na terra em que a espera em te encontrar caminha. É no horizonte onde liberdade faz morada. Na morada do Amor, encontro nós dois de laços e a vida de cama macia. Lá mora a minha cor, namoram os olhos que se conversam. Em que dois são um, todo o resto é nenhum porque nada além, só aqui. Fluído é o que forma foi e presente é, somos rio a desaguar no mesmo encontro em um só nome e verbo que confessa: há mar.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Sobre a doação...

A mais importante esfera de dar, entretanto, não é a das coisas materiais, mas está no reino especificamente humano. Que dá uma pessoa a outra? Dá de si mesma, do que tem de mais precioso, dá de sua vida. Isto não quer necessariamente dizer que sacrifique sua vida por outrem, mas que lhe dê daquilo que em si tem de vivo; dê-lhe de sua alegria, de seu interesse, de sua compreensão, de seu conhecimento, de seu humor, de sua tristeza — de todas as expressões e manifestações daquilo que vive em si. Dando assim de sua vida, enriquece a outra pessoa, valoriza-lhe o sentimento de vitalidade ao valorizar o seu próprio sentimento de vitalidade. Não dá a fim de receber; dar é, em si mesmo, requintada alegria. Mas, ao dar, não pode deixar de levar alguma coisa à vida da outra pessoa, e isso que é levado à vida reflete-se de volta no doador; ao dar verdadeiramente, não pode deixar de receber o que lhe é dado de retorno. Dar implica fazer da outra pessoa também um doador e ambos compartilham da alegria de haver trazido algo à vida. No ato de dar, algo nasce, e ambas as pessoas envolvidas são gratas pela vida que para ambas nasceu.
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(Erich Fromm)

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Papo de vovó...

Eu sei que muitas vezes vai dar medo, em outras, você vai pensar em desistir. Mas mudanças fazem parte do cotidiano e são elas que nos ajudam a construir nosso alicerce. Experiência não é “papo de vovó”, não. Chega um dia que a vida te cobra e vai querer saber “tin tin por tin tin” o que você fez com os obstáculos que ela colocou.
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(Fernanda Gaona)

Todos os dias te descubro...

"Todos os dias descubro
A espantosa realidade das coisas:
Cada coisa é o que é.
Que difícil é dizer isto e dizer
Quanto me alegra e como me basta
Para ser completo existir é suficiente.

Tenho escrito muitos poemas.
Claro, hei de escrever outros mais.
Cada poema meu diz o mesmo,
Cada poema meu é diferente,
Cada coisa é uma maneira distinta de dizer o mesmo.

Às vezes olho uma pedra.
Não penso que ela sente
Não me empenho em chamá-la irmã.
Gosto porque não sente,
Gosto porque não tem parentesco comigo.
Outras vezes ouço passar o vento:
Vale a pena haver nascido
Só por ouvir passar o vento.

Não sei que pensarão os outros ao lerem isto
Creio que há de ser bom porque o penso sem esforço;
O penso sem pensar que outros me ouvem pensar,
O penso sem pensamento,
O digo como o dizem minhas palavras.

Uma vez me chamaram poeta materialista.
E eu me surpreendi: nunca havia pensado
Que pudessem me dar este ou aquele nome.
Nem sequer sou poeta: vejo.
Se vale o que escrevo, não é valor meu.
O valor está aí, em meus versos.
Tudo isto é absolutamente independente de minha vontade".
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(Octavio Paz)

domingo, 13 de novembro de 2011

Ofício...

"Sim, jamais escrevi sobre o que não me doesse, nem sobre o que doesse somente a mim. Com a exceção das mensagens divinas, de que não sou portador eleito, são as dores do mundo, na medida em que participamos delas com a inteireza de nossa alma, que constituem a única matéria digna do ofício de escrever e falar em público".
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(Olavo de Carvalho)

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Quinhão...

Amor é a prece que cantam os passarinhos; é decorar sua gaveta de bençãos, sentir a cor e o peso dos laços, saber qual seu reflexo nos milagres, e colecionar sorrisos. Amor é o caminho entre o abismo dos dias, vazios em que reinam sombra e não escapa luz, onde o tempo cala e o silêncio dói. Amor é um lembrar-de-Alma que desmistura avessos e contraria tristezas, quando semente se esqueceu de germinar. O Amor acerta os compassos e desfaz enganos; constrói perdão e amansa o medo, perfuma olhares e colore os jardins. O Amor suaviza certezas amargas em que o amanhã sepultou a esperança. O Amor é também lembrar o caminho de volta pra casa, quando a fé na vida se perdeu; e lembrar é o suficiente pra muita coisa aqui dentro: que serenidade é o correr do riacho e o pulsar do coração; que abrigo é o sol que nos banha e a noite que nos veste; que no número de estrelas cabem todas as nossas virtudes; que travesseiro é testemunha de todos os nossos sonhos; que existem mãos que despertam os olhos, e letras que acordam a Alma. Amor é cirandar com o que é vivente, ardente, poente, amante, nascente, reinante no próprio peito que sente. Amar é amanhecer dentro da gente; celebrando gratidão mesmo quando o dia de ontem trouxer saudades. Amar é saber o seu quinhão no mundo.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Artesão...

Aos que nascem e morrem nas palavras: em que nelas se encontram, mas também se perdem; em que nelas se ferem, mas também se curam; os que nelas abrigam, mas também expulsam. O poeta é o artesão do silêncio que leva vida inteira para provar do próprio fruto. Aquele que escreve escolhe paisagens já vividas ou colore alguma nova de que queira falar. Universo ilimitado de possibilidades que nem sempre nos pertencem, mas que nós as expressamos com nosso singular perfume. Não precisa o poeta acreditar naquilo que escreve, exceto no instante em que escreve, pois o artesão dá a vida a sua escultura, mas não é ele o barro; o jardineiro floresce os jardins, mas não é ele a terra. Criador é reflexo, mas nem sempre a imagem. Ele é sopro, a criação e a própria criatividade que em sua obra habita. Ele conta lágrimas, ainda que por detrás do pano sorria. É vendaval, ainda que tenha amanhecido azul sereno. O poeta ao publicar sua poesia dela se liberta; pois o que a arte exige do artista é a devoção à sua obra ao criá-la, e não fidelidade a ela depois de pronta. Aos que nascem e morrem nas palavras, mas que também as transcendem: o artesão traz ao mundo o sublime e o sagrado quando confessa nas palavras, o infinito; para ir depois tomar sua cerveja, fumar o seu cigarro e beijar sua amante.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Sobre a distância...

Distância é espaço que nos desfaz em dois; é saudade que pode ser medida pelos passos que dou ao fugir dela. Distância é horizonte que não admiro; passeio que não quero; grandeza além do meu sonhar. Distância é sinônimo do tempo em que não sei; mas que multiplica o sentir e o pensar. Pois será que quando um pensa no outro, não se faz ponte? Ponte que nos faz mais próximos ainda que de jeito sutil e sereno? Será que pensamento com jeito e forma de quem se gosta não é abraço que acolhe nossa atenção e porta que recebe nosso carinho? E será que somos tão distantes e separados assim pra porta não ter o outro lado em que nos sabemos inteiros? Não seríamos nós, portas que se conversam e se esperam? Tem os sentimentos língua própria que confessam você em mim e o que dentro de nós habita. Quando dentro e imerso, dissolvem-se os reflexos e os limites que nos separam. São os pensamentos feitos da mesma essência e do mesmo encontro quando o Amor deságua no mesmo mar. E lá navego na tua mesma rota que me serves de farol. Porque distância não é, nem nunca foi assunto da alma; coração desconhece o tempo. Quando me enlaço na tua história, sou promessa cumprida hoje; mas também pedido. Que venha você desfazer os velhos conceitos e as teias de aranha da mesmice ao me ensinar mistério que dissolve ilusão, desmentindo o espaço que nos desfaz em dois, que espera saber o nosso encaixe e dissolver nossos limites. Afinal, quem tem limite é município. Eu sou imensidão que te busca e que distância nenhuma toca, quando vivo em nós.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Combinação...

“Tu tens a sombra e a luz e eu penso que a música é a combinação das duas. Apenas luz não tem sentido para mim. Mas se for apenas sombra é demasiado escuro, não consegues ver nada. Precisas de luz e sombra, precisas do contraste de tristeza e esperança, amor e raiva. É isso que faz com que a minha música seja dramática, bonita. Esse conflito está sempre presente na minha vida. Por muito que queira caminhar para a luz, tenho de passar pela escuridão para chegar à luz.”
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(Lhasa de Sela)

Visões...

"Nego-me a submeter-me ao medo que tira a alegria de minha liberdade, que não me deixa arriscar nada, que me torna pequeno e mesquinho, que me amarra, que não me deixa ser direto e franco, que me persegue, que ocupa negativamente minha imaginação, que sempre pinta visões sombrias".
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(Rudolf Steiner)

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Sopro...

(...) após longo combate do Amor para sobreviver, morreram. E então, fez-se um silêncio. Silêncio árido, denso, amargo; daqueles de enlouquecer os feridos. Aquele silêncio de cemitério, de campo de batalha em que viveram suas mágoas e trincheiras. Eles resistiram e se carregaram, até abrirem mão. Não se sabe se sucumbiram ou se renderam a este silêncio. Silêncio de não mais ver os olhos e de não saber da pele.  Cobranças cortaram, lembranças traíram, nas noites se odiaram e na manhã refizeram-se, mas não puderam, não aguentaram. E quando menos esperavam, quando aguardavam o perdão e a renúncia dos erros num amanhã ilusório de paz; tombaram de exaustão, sem fôlego, de solidões partilhadas e interrogações infindáveis. Morreram sem saber viver; viveram sem saber amar. Acreditaram sem poder seguir. Pela gastura dos laços e dos frágeis alicerces da relação, um mero sopro os derrubou. Um tropeçar ingênuo que os atirou ao precipício. Uma farpa qualquer que os rasgou em sangue o peito. Quando mentira foi uma verdade imprevisível, morreram de sopro no coração.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Diálogo...

- O meu coração não bate.. me espanca.
- E você não amaciou ainda? O que mais falta então? Chorar mais quanto? Sofrer mais quanto? A gente não é automóvel que precisa rodar e se desgastar um tanto pra só então fazer a revisão. Revise-se; reviva-se e re-torne para a estrada.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Sobre gravetos e chinelas...

Após laços desbotados e desencontros tantos; por acaso se encontraram. Universos tão diferentes a somar suas diferenças em resultados de bem-querer a olhos vistos, ainda que ela não enxergasse lá muito bem. Apaixonaram-se perdidamente onde ganhavam o pão; ainda que não comessem carne. Trabalho se fez palco de carinhos e confissões que, entre desejos e planos, confessavam também cansaço de capítulos passados e páginas rasgadas a sufocar liberdade dos momentos já escritos. E por amargarem suas tristezas, hoje, faziam dos seus bilhetes, pétalas deixadas na mesa, entre pastas e bombons, memorandos e suspiros, versos e papéis do trabalho que os uniam no expediente do coração. E pela cumplicidade de suas histórias; tendo os dois caminhado entre muitos gravetos a sangrar passos passados, usavam agora as mesmas chinelas, a descansar seus pés e abraços cansados da caminhada torta. Queriam a mesma leveza. Ela era doçura que tocava sua boca; ele poema a tecer sua esperança. Amizade e faíscas na identidade dos sonhos e na intensidade das agendas; buscando assim os mesmos compromissos. Cheirosa de Alma, queria ele perfumar sua vida inteira...

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Vai saber...

Serve o nascer do sol para dissolver o vazio que amanhece do nosso lado na cama. O mesmo vazio que tentamos preencher com a mesma coisa a terminar igual. Igual porque iguais são tantos e tantas que repetem o mesmo ato, a mesma cena, o mesmo drama, a mesma dúvida. É com o nascer do sol de dentro que a coisa toda muda. Vai saber...