quinta-feira, 30 de junho de 2011

O Sofrimento da flor...

O jardim era sua terra-natal. Suas lágrimas, orvalho. Perfumes, ofício. Suas cores, fantasia. Seus espinhos, proteção. Mal sabia Rosa o que a nutria por debaixo da terra, dos panos e dos seus próprios olhos. Mal sabia Jasmim que por suas raízes alcançarem terra abafada, podia ela se erguer alta e livre a tocar o céu. Tinha medo Margarida de perder suas pétalas arrancadas pelo vento forte, pela mesma razão de também poder dançar inteira sob o sol ou sob a chuva. Sua nudez não era pecado, mas sim entrega. Não sabiam então que, quanto mais elevadas se faziam, mais frágeis também se tornavam. Antes, sofria a flor que se via pedra, chorava limo e que não se reconhecia Rosa, Jasmim ou Margarida. Quando  aí souberam que suas fragrâncias e cores seriam as mesmas em qualquer paisagem; quando descobriram que seriam plenas ainda que os olhos do homem não as contemplasse ou borboleta elegante ali não repousasse. Quando visita não foi mais espera; e quando as estrelas no céu lhes foram suficientes, o inverno por elas passou e aí sim, souberam que sementes eram sonhos; fragilidade era força. Primavera, recomeço. E suas dores, florescimento.


"A abelha traz o mel, como a alma traz a luz". (Victor Hugo)

Vertigem...

"Reduzistes o meu universo a pedaços que navegam no espaço sem sentido, vertiginosamente, enquanto eu guardo beijos no céu da boca para encher a tua noite de estrelas..."
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(Albino Santos)

Corrigir-se...

"Uma pessoa pode e deve corrigir-se, mas não de acordo com uma norma que seja externa a si mesma, mesmo que seja a mais perfeita das normas. Ela deve corrigir-se somente em sintonia com a maneira que ela é em si mesma".
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(P. Florensky)

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Pessoas...

"Algumas pessoas nasceram para ficar sentadas junto ao rio. Algumas são atingidas por raios. Algumas têm ouvido para a música. Algumas são artistas. Algumas nadam. Algumas conhecer botões. Algumas conhecem Shakespeare. Algumas são mães. E algumas pessoas dançam".

(Do filme, O curioso caso de Benjamin Button.)

Esforço...

"É a consciência que traz a mudança, não o esforço feito por você. Por que isso acontece por meio da consciência? Porque a consciência muda você, e quando você é diferente o mundo todo é diferente. Não é uma questão de criar um mundo diferente, é apenas uma questão de criar um você diferente. Você é o seu mundo, então se você muda, o mundo muda".  

(Osho)

Assim como...

"A gente batalha tanto pra perder a inocência e finalmente enxergar as coisas com clareza, que nos permitimos endurecer durante o caminho para finalmente alcançarmos este estado. Nem tudo que a gente conserva de puro merece ser abandonado. Assim como os anos não anulam o que já foi vivido, a maturidade não anula o que já foi sonhado!"
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(Fernanda Gaona)

terça-feira, 28 de junho de 2011

Não te rendas...

"Não te rendas que a vida é isso,
Continuar a viagem,
Perseguir teus sonhos,
Destravar o tempo,
Correr os escombros
E destapar o céu.

Não te rendas, por favor, não cedas,
Ainda que o frio queime,
Ainda que o medo morda,
Ainda que o sol se esconda,
E o vento se cale,
Ainda existe fogo na tua alma.
Ainda existe vida nos teus sonhos".

(Mario Benedetti)

Visões...

"Entrava no local dos sonhos por um caminho muitas vezes percorrido, e regressava com grandes precauções para que as tênues visões não se despedaçassem contra a luz áspera da consciência."
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(Isabel Allende)

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Como sempre foi...

"De repente tudo aqui tremeu. Cai no chão, de bunda, sentada, e não sei como levantar. Tô amando o que é fácil amar. Tô amando a coisa mais difícil do mundo. Tô amando amar. To amando o que sempre quis. Tô amando e morrendo de medo de sangrar. E eu vou sangrar. Eu sempre sangro. Dessa vez será pior. Como também já é sem dúvidas a melhor. Tô amando e to louca pra gritar. Tô amando e vou calar. Dessa vez não vou nem comentar. Tô amando e você não vai nem desconfiar. Tô amando e só. Tô amando e sentindo falta. Tô amando e me inspirando. Tô amando sim. Tô amando assim. Você lá e eu aqui. Tô amando só, como sempre foi".

(Iza. In memoriam, daqui)

sexta-feira, 24 de junho de 2011

A Prece...

Sou Prece em confissão de poesia. Sou domingo cinzento e segundas ensolaradas de recomeço. Sou alguém a perguntar: será que nos encontraremos nos primeiros pensamentos da manhã; nas primeiras palavras do dia? Saberá você amanhã o mesmo que saberei? Será você amanhã o mesmo que eu serei? Queria que sim; saberia que sim; sinto que é; faço perguntas que eu mesmo respondo porque somos equivalentes; somos a mesma busca; e o mesmo encontro. Porque te queria aqui, ou me queria aí, tanto faz. Tanto me fiz teu que até agora tenho colecionado tua boca linda e todos os teus sorrisos no meu olhar de atenção. Eu já acolhi saudades como presença enfeitada de nostalgia. Olhei para as lágrimas como chuva de verão no meu jardim. E já entendi essa estranheza bonita de não reconhecer terreno em que pisamos e que sempre colhemos o mesmo, a colorir metade, a sorrir metade, a faltar inteiro de nós dois. Passamos vidas inteiras nos entregando pela metade, desatando nós, dissolvendo mágoas, buscando aquilo que nunca serviu e deixando rotina ser nosso caminho que, agora, metade é poesia. Metade é inteiro; tempo é espera e distância é certeza. Você é minha outra metade. Metade é como a sombra de Amor em dias de Sol gostoso. Agora vejo que tua falta preenche o meu vazio; são os passos parados do meu caminhar macio. E hoje sopro direção pra você se encontrar dentro; me encontrar junto, e sermos aqui fora, aquilo que já somos. E enquanto me perco nos dias, te encontro nas noites e somos na Lua; não me deixo virar pó nem pedra até te ver de novo. Chegou hora de costurar minha sorte na tua, meu Amor. E como Prece, digo: Amém ao que nos espera. Amém por eu saber que tenho você, mesmo que do outro lado.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Bom gosto...

"Você não é único. Nem exclusivo; embora seja bem diferente. Você é cheiroso, gostoso, atraente e tudo aquilo que há muito não via por aqui a despertar todos os meus sentidos. E você veio como presente de terra inesperada; deixando me morder os lábios de vontade, a me derreter toda por você, quando sinceramente pensei que deveria ser o contrário. Passei a querer te levar pro meu quarto e me entregar toda ao teu pecado; sem nunca te dividir com ninguém mais: te saber nos meus lábios e te encontrar nas minhas mãos; sabendo teu nome e tua história ao mesmo tempo em que te devoro. E depois de tanto me encantar, descobri teus dois lados; tua doçura é a mesma a me ser dor de cabeça, a me preocupar com meus limites e a me atacar gastrite. Você é todo meu, ainda que se vá. Você é minha fuga e meu deleite, como nada nem ninguém jamais foi. Meu prazer, meu fardo; peso de que tento me livrar.  Mas não se ache o último da embalagem. Há muitos de você por aí. E saiba: se pudesse eu te buscava, te importava, te faria a ser meu vício de sempre. Minha caixa bonita de chocolate belga. Caro à beça".

sábado, 18 de junho de 2011

Sobre qualquer coisa...

Vim a estas linhas lhe dizer qualquer coisa. Qualquer coisa que seja Amor. Qualquer coisa que me faça mais perto. Qualquer coisa que me faça mais teu. Porque eu me rendi faz algum tempo; desde que te encontrei. E não sei dizer se foi o teu sorriso, se foram todas as tuas palavras, e se é toda tua atenção que se derrama em minha vida que me conquistaram. Conquistaram porque deixei me entregar às belezas grandes como são teus olhos, e também às pequenas e aquelas sutis que você faz comigo nos dias que se acontecem, entre os momentos que se confessam nossos. Porque você é lastro, você é fato, você é caso de amor que dá sentido ao meu amargo. Amargo porque distante, e só por isso. E sobre qualquer coisa lhe digo que você está muito bem. Que em você lhe cai muito bem. Tuas roupas, tuas atitudes, minhas mãos. Porque qualquer coisa é toda a coisa que penso ser que deve ser, ainda que não seja. Porque qualquer coisa é muito. E você é única. Queria desenhar tua rua perto da minha; queria desenhar teu caminho a cruzar o meu; no ônibus, na janela, nas cartas que não chegam, no supermercardo; na minha vida de qualquer jeito. Queria ser teu vizinho, a pedir açúcar pra bolo, a pedir teu tapete pra limpar meus pés, a pedir teu peito a descansar meu coração. Queria ser tempo a escolher de qual jeito e quando você iria ser minha. Porque ainda que seja teu, você não é minha. Porque o sorriso é breve, é contido e não escancarado a dizer que tudo é como deve ser. Porque estou ébrio de palavras que amanhã não me darão dor-de-cabeça, mas sim saudades. Olhe bem: Sou todo carinho a me revelar, a me desvelar, a confessar todo meu corpo, minha mente e minha alma naquela cama; naquele sorriso; naquele abraço. Agora, sou eu a boa sorte a lhe querer qualquer coisa, a lhe vestir azul e desejar sempre, que todas aquelas boas coisas nos aconteçam...

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Pecados...

Hoje resolvi sentir meus pecados de perto e declarar meus desejos todos no teu colo confessionário. Sinto inveja: de ser teu sofá, tua cadeira, inveja de ser teu ar. Inveja branda de ser palavra que sai da tua boca; apenas porque tocam teus lábios. Inveja branca, orgulhosa de ser eu, teu e tão somente teu; a te encontrar nas linhas da tua vida e nas curvas do teu corpo. Porque és poesia até nas compras do mercado; enquanto arruma nossos filhos pra escola. Quando toma em silêncio o teu café. Sou pessoa mais invejosa do mundo por qualquer coisa que habita tua vida. Por qualquer paisagem em que você caminhe. E tua pele combina com as paisagens que descrevo. Sou também luxúria: por me entregar às tuas cores e sentir prazer no teu sorriso, como vício a me escolher prisão em que feliz me entrego. Por isso, quero trocar palavras por silêncio de olhares cúmplices e desejos de bem perto; banquete de sentidos a querer beijos na boca e mãos quentinhas e brigadeiro de panela. Coração meu se veste de virtudes e minha carne se enfeita de boas fraquezas a evaporar minha postura de inocente e bom moço. Por isso sou nuvem, pedindo aos teus olhos atenção por me fazer exclusivo no teu céu. Porque sem teus olhos e sem presença tua, tudo o que é e tudo o que sou, deixaria de ser por falta tua a me admirar. Sem teu saber e sem você, nada sou. Sou gula: alimentar teus sonhos e comer do mesmo prato; a querer mais e sempre mais, te devorar toda e inteira.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Sobre a saudade...

Entre esquinas e bares e noites de amores; preces e cantos a aliviar minhas dores; perdas e ganhos, incensos e quartos, mantos e fardos, meses passados, ouros e bronzes, sinto saudades de ti. E distração minha é saber sentir saudades. Sinto-a por tão somente existir; por ser quem sou e por quem tenho a não-estar. Sinônimo de ainda existir o existido e querer que ainda exista. Sorte a minha sentir saudades que lhe pertencem; de que és dona, e não outra. Sinto-a por sentir; por saber quem sou e por quem quero a me amar. Sinônimo de partir  quem já (se) partiu e querer que ainda volte. Só pode sentir saudades quem existe, e tenho certeza; você também já existiu...

terça-feira, 14 de junho de 2011

Tempestade...

Amor dará. Amordaçar. Amor morrer. A morrer de amor. A calar dor com boca. A doer doçuras que não são tuas. Apagar lembranças que são todas minhas. A pagar o preço de querer você. A viver no vicio; a morrer no início, do teu partir. A me partir em um, porque não mais somos dois. E não sendo dois, sou nenhum. Logo, não estou. Tarde, não estive. Talvez, venha a estar, mas não agora. Talvez venha a ser, mas com demora. Quem sabe florescer, no jardim lá fora. Hoje vai chover desilusão. Vai varrer tudo o que for. Vai chover na escuridão. Vai fazer doer a dor. Adoecer. A dor e ser. Olhar e não querer me ver; esquecer das coisas que só eu sei fazer: ser, estar, permanecer, ficar, partir, morrer.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Horizonte...

Amor, daquelas gentilezas todas que venho guardando no bolso e no sorriso, hoje resolvi adoçar tua boca e lhe falar sobre o horizonte. Aquela promessa de encontro entre céu e terra, entre amores e cores que se tocam quando nunca se encontram. Pois me fiz olhos teus a desenhar no coração, minha miragem; nossa ilusão. Queria te levar, navegar em barquinho de velas tecidas com doçura em mar de sorvete, até o por do sol de amarelo dourado, a convidar a lua sua presença prateada. E próximo do encontro das dimensões que traçam o infinito, você saberia que o horizonte é mesmo uma ilusão. Assim como algumas esquinas e passagens, passageiros e paisagens, que pela vida passam mas não passeiam; que colorem presença de cores gastas e sorrisos desbotados; verdades falsas e abraços fabricados. E sabe o que então eu lhe sopraria ao ouvido entre as marés? Fecha teus olhos e desfaz conto que aporta o coração; pois é dentro dele que o eterno se espalha e costura o real, onde perfume é sentido e a beleza vive plena. Você vê a vida através da tua Alma, da tua janela; e a verdade vem de dentro pra fora; as cores são tuas e os sonhos também. O horizonte é, na verdade, o teu desenho e tua criatividade. É a tua própria vida. O impossível aí se desfaz nos teus olhos fechados. Por isso, meu Amor, eu estou tão perto de você, porque moro dentro. E de dentro, nunca saí.

domingo, 12 de junho de 2011

Arkhipelago...

"Sua exigência solitária é poder, um dia, atravessar a rua sorrindo, abraçar forte e poder dizer que, putz, foi gostoso aquele nosso tempo. Aquele, quando depois de uma tempestade transatlântica, uma ilha encostou em outra ilha, mudou radicalmente o desenho da geografia e, juntos - pelo menos por um bom tempo - formaram um arquipélago desses azul, bem bonito".  (Gabito Nunes)

sábado, 11 de junho de 2011

Lucidez...

Amor; ainda que não encontre mais lucidez a me fazer possível na tua vida: aqui estou. Porque sempre estive, e sempre estarei. E tenho mais o que dizer a você. Ainda que, por agora, eu não diga. Ainda que, por agora eu sinta e também não diga. Mas eu sempre falo, e sempre falei. E você sempre me ouviu. Escuta lá fora qualquer sinal, qualquer perfume, canção, vento ou direção, que eu te encontro. Porque eu sempre te acho. Queria muito abraçar você e lhe dizer que há muito o que caminhar. Porque a Vida é uma só, ainda que muitas. Porque o Amor é um só, ainda que muitos. Versões e encadernações de desejos, sonhos e escolhas. Só queria mesmo lhe dizer que estou aqui. E que sempre estive. E queria lhe dizer também que tudo sempre fica bem. Há de ficar. Queria também contar que as escolhas são todas tuas, e de que o Amor espera. Ele sempre espera; seja lá com qual roupa, com qual cheiro, e de qual cor ele venha ou com qual horizonte se revele. Ele sempre estará aqui. Esperando; adormecido pra florescer inteiro. Você só precisa estender, mais uma vez, teus braços a encontrar com os meus.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Vesti azul...

Hoje, a noite se descansou em sono; e despertou cedo meu sonho. Sol acordou colorido com céu de azul perfumado; incenso bom ao teu lado; cheirinho que prometi lhe dar quando sorriso me encontrasse. Pois é; vesti azul a te soprar meu bem querer embrulhado, de presente, futuro e passado, em vontade-sempre de te abraçar. Azul manso cor de sossego a cobrir caminho de pegadas, avião, carro de boi, sua estrada; alcançar beira do nada, e da tua vida toda a ficar. E eu pensando em você, sonhando lugar pra nós dois. Hoje, sou noite enluarada, a apontar a passarada o teu ninho; tua morada. E que na janela tua, piam o meu Amor e meu carinho, minha cor e meu caminho; e  nas asas de que me sirvo, a te alcançar e manter-me vivo; jogar você toda no céu, fazendo-te estrela cor de mel e declarar: como estrela, olho e admiro, sem você tocar. Agora, sou mais uma vez dia, a fazer dos teus olhos meu guia, meu inevitável caminhar. Amanheço vontades, lembranças, saudades... coala, massagem, mesa de bar. Sou teu azul vestido a levar teus dias pra ver o meu mar.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Do Significado...

Gosto quando aquilo que era pedra, se torna flor. Quando estrelas são teus olhos; chuva, lágrima; quando poesia vence cansaço. Gosto quando vida ganha perfume e universo se revela em palavras; onde Amor vive no símbolo. Pois as letras do alfabeto conspiram encontro a escrever teu nome. Porque Amor também é ponte, não só destino. Amor é mapa; e o caminho. Gosto quando vejo o que não via; saber o que não sabia. Provar o que antes não sentia; a levantar véus e admirar verdades, dissolver saudades; paladar a juntar contrastes. Ver conjunto; esquina, mundo. Ver tudo junto em coisa só. Gosto quando aquilo que era pouco; se torna tudo. Presença tua quando falta é sentida, és sentido; meu significado.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Coincidência...

Coincidência é ponte que traço pra percorrer distância e encontrar jardim. Colher minhas flores e sorrisos teus. Coincidência é convite anônimo que escrevo pro Amor-destinatário a me encontrar por aí. Coincidência é carinho da vida que acolhe e aproxima gentilezas. Coincidência é doçura a deixar algumas coisas bem claras pro coração: Que não há tempo nem prazo nem medo pra se estragar coisa alguma quando é beleza o guia e o norte. Coincidência é ordem e harmonia das Almas que falam verdades, ainda que da boca não saia  palavra alguma. Coincidência serve pra isso, pra fazer acreditar na mágica que se esconde nas sombras do dia-a-dia a colorir Vida nossa. Serve pra que eu possa usá-la pra gente se encontrar de novo, mais uma vez e sempre.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Sobre as palavras...

Palavras são desejos e sonhos engarrafados em som que se joga ao vento a semear a própria Vida. Palavra vem de dentro, vem da fonte, vem do centro de imensidão e silêncio que busca vir-a-ser aqui fora da gente; é sopro charmoso dos lábios a colorir o tempo de impressões muitas; palavra é o encanto do silêncio em êxtase que convida boca tua pra realizar seu plano de Amor. Palavra é também caminho que traço e realidade que escolho diante do meu tamanho que alcança o Alto. É veneno, mas também remédio; é símbolo que acolhe infinitos, leva a semente e também toda a floresta. Palavra tem força de aproximar ou separar, criar ou destruir; a reafirmar verdade que ecoa; lago que guarda no fundo nossas crenças serenas e aflitas. E tuas escolhas são delícias a me adoçar sentidos. E quando oração; é chamado ao Universo que nos busque a nos aproximar das verdades, Amores e milagres de que nos esquecemos. Palavra é gratidão pelo que já tive, e pelo que ainda vou ter.

sábado, 4 de junho de 2011

Porque escrevo...

Escrevo porque me atrevo. Escrevo pra me perder, e para me salvar; a encontrar respostas nas entrelinhas da vida que não vejo quando olho pela janela. Escrevo a janela, e o jardim inteiro. Escrevo também pra colorir sombras que vivem dentro do coração. Escrevo pra confessar minhas verdades e enfeitar minhas mentiras; pra te trazer mais perto e em ti mergulhar; escrevo pra poder te apagar; e reviver você entre amores amarelados, páginas rasgadas e sonhos límpidos. Pois quantos amores pela metade que vivemos, nos deixam inteiros quando se vão? Você pra mim não foi, porque ainda será; e eu te namoro em poesia velada que sabes tua pelo teor, pela forma e pela cor da tua pele que contam meus ecos e lembranças. Ideias e sonhos que semeamos em folha branca, são sempre sobre nós dois. Alinho as palavras como dedo que aponta pra Lua; ainda que outros vejam o dedo, eu vejo você a iluminar o mar em que navego. Escrevemos todos nós no espelho a refletir cenas, romances e asas. Ainda que eu escreva da gaiola a declamar céu azul, daqui não voo, mas minhas letras levitam plenas, já que não sei aprisionar sentimentos.  Sem escrever, morreria sufocado. Escrevo também porque não sei como mais mostrar meu universo, pintar minhas cores, cantar meu canto e falar de amor. Coleciono letras na ordem do meu querer pra poupar meu dinheiro e o tempo do terapeuta; pra salvar minha lucidez e preservar minha quota de insanidade. Por isso, parabéns à todos aqueles que deixaram de sonhar ilusão pra sentir verdades, medos e raios de sol a esquentar coração e deixar poesia voar e tomar conta da estante, do instante e da vida inteira que os olhos ainda não leram. Escrevo porque escravo. Escrevo pra nunca mais precisar escrever.

"Tentar deixar a pergunta dormir um pouco, pode ser a melhor maneira de abrir espaço para a resposta acordar". (Ana Jácomo)

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Em defesa do A maior...

Qual a diferença entre os Amores? Aqueles que se fazem no papel daqueles que se encontram à dois; em dois? A letra é Alta porque me acolhe na alegria tua, porque me abriga da tristeza minha, do vento forte que sopra distância nossa. Amor é grande porque faz sombra frondosa pra descansar o coração, não na letra, mas nele mesmo e em você. Escrevo porque o Amor é meu, e porque é o meu Amor. Porque é nome próprio, amor-próprio, não impróprio, e não comum. Amor incomum.  Tanto que A não é a, é B; e ainda que seja C, é você. Palavra que abstrata na boca, mas real no beijo e verdade nos olhos dos amantes. Amor sublime, egóico, regente; Amor é amante, amores, é quem sente, milagre, janela, bem querer, sol poente. Amor tem papel de passado, de ares futuros, de encontros desencontrados; terminar o inacabado. Amor é "amor" que cresceu no coração; "amor" é só palavra. Amor é essência. Amor que é no começo, é Amor também no meio e é Amor ao final. Amor não é sempre amor, ainda que Amor ele sempre seja. Um é trama, outro é tema. Um é tanto, outro é tudo. Defendo o Amor; porque "amor" eu conto em qualquer conto, encontro em qualquer canto que letra morta se escreve; Amor é vivo. Amor meu é assim porque nosso Amor é mesmo e sempre, maior.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Parábola...

Quando chegou o homem ao templo da verdade, entregando sua vida à divina justiça ao final do seu viver; carregando bagagem de dores e alegrias, entrelinhas de fragrâncias e venenos, Deus, conhecendo o seu próprio filho assim lhe perguntou: "Te entregaste de corpo, alma e coração aos amores todos que colheste como flor em tua caminhada?" "Não!" disse arrependido o homem. "Arranquei pétalas e dizimei jardins com o peso do meu orgulho e com minha presunção. Faltei com meu inteiro. Me entreguei por tantas vezes pela metade nos braços de cada uma das minhas amadas, iludindo, descolorindo sorrisos e amargando corações, faltando com meu "eu" em cada peito. Semeei dores e desgostos enquanto sorvia o belo e o bom. Traí abraços, gritei canções erradas, troquei verdades pelos meus vis motivos e enganei suspiros de todas elas que confiaram seus perfumes, suas cores e seus beijos na minha boca seca. Por isso, dei do meu cinza-amor a cada uma e todas ao mesmo tempo, como souvenir barato, enquanto quebrava presentes e também as bençãos; inventei promessas e descartei seus sonhos". "E agora, com o que lhe sobra de virtude a decorar as vestes que acolhem teu nome, diga-me filho, de algo lhe serviu?" "Houve vez entre vazios preenchidos, laços partidos e desencontros muitos que conheci a boa sorte e a benção nos olhos perfumados dela; descanso nos seus longos cabelos cor de sol, desarrumados de jeito lindo nas manhãs de sua presença, pelo tempo pouco que pude ter com ela a felicidade de estar. E foi pelos seus lábios que ouvi doces histórias, risadas macias e ganhei o perdão que eu mesmo nunca estendi a ninguém. Por isso, perdão sou eu quem não merece mais", soluçava afundado em sua tristeza. E disse Deus com a ternura de Pai: "Perdão é graça, é perfume do coração que o entrega, e não causa pela colheita dos que amargam. Perdão foi feito para aqueles que não o merecem, para que se tornem dignos novamente de continuar seus próprios passos. Perdão é questão de amor, e por isso, é de quem sente. Eu te perdoo filho. Por ser também minhas palavras a própria vida, desfaz tuas amarguras agora com o recomeço que te brindo. Entretanto, por conhecer entre os teus erros o acerto, sentirás a falta dela. As saudades terão o gosto daquilo que de bonito você provou e tomou para si como seu, quando não era. A falta será presença, e o aperto no peito será lembrança do amor que você busca encontrar. Agora vá, esquece e recomeça!".

"O sofrimento apenas nos dá a medida dos erros cometidos, jamais serve de moeda para o pagamento de qualquer culpa". (José Lacerda)