sábado, 30 de abril de 2011

Universo de coisas...

"Para manter o espírito vivo e criativo é preciso se despir de preconceitos, combater a inércia e, sair da zona de conforto. Há um universo de coisas interessantes a serem descobertas.”
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(Vik Muniz)

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Entrega...

Além do prazer imediato que lá buscava, tecia ela afinidade cada vez mais forte. Ela o procurava com frequência, pois, ele era o único que a fazia liberar suas tensões. E entre suor e incensos e portas fechadas, esquecia-se do tempo, das contas, dos seus próprios erros e até do seu companheiro, que há tanto tempo não era mais bem-vindo no seu coração. Tornou por hábito deixar ao sair, sorrisos e lágrimas, segredos e desabafos, a limpar o canto escuro do coração não apenas pelos suspiros e arrepios dela, mas pelo toque das mãos e das palavras de alento dele. A cada encontro, saia outra. Era seu massagista de confiança. Agenda lotada.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

A Ilha de um homem só.

Que meu momento presente seja a confirmação de todas as escolhas feitas e desfeitas de outrora. Inclusive as que escolhi não fazer...
Uma ilha reflete a ilusão por estar só na superfície. Ao mergulhar, percebe-se que ela é una com toda a terra. O homem só, anda acompanhado...
O homem só, é na verdade, muitos...
Como pode se reconhecer, sozinho, quando apenas com o outro ele se expressa?
Quando sozinho, não há medida e não há além?
A semente em si, não cresce só.
Pois.. Gratidão é tema de dois; partilha também.
Comunhão é tema de Um. Amor também. O dois que se torna Um.
Que o ciclo que se recicla, seja mais seu..
Que o nosso caminho, seja de encontros e reencontros, cobertos pelas bençãos por nós merecidas!
Que o novo nos brinde com harmonia, consciência e inevitável crescimento...
O que desejo a mim, desejo a você..
E aquilo a mim desejado, multiplicado seja, colorindo nosso arredor.
.. pois sem a prosperidade e a felicidade do outro, como posso eu ser feliz também?
Por isso quero o mais belo, o mais sonoro, o mais carinhoso e intenso.. em tua vida!
A minha será apenas consequência! E saiba que a Ilha, é continente!
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(Guilherme C. Antunes)


“Toda humanidade é um só volume. Quando alguém morre, seu capítulo não é rasgado, mas traduzido para uma linguagem melhor… nenhum homem é uma ilha, inteiro em si“. (John Donne)

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Resposta...

"Tem paciência com tudo não resolvido em teu coração e tenta amar as perguntas em ti, como se fossem quartos trancados ou livros escritos em idioma estrangeiro. Não pesquises em busca de respostas que não te podem ser dadas, porque tu não as podes viver, e trata-se de viver tudo. Vive as grandes perguntas agora. Talvez, num dia longínquo, sem o perceberes, te familiarizes com a resposta."
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(Rainer Maria Rilke)

domingo, 24 de abril de 2011

Todo fim é recomeço...

Ela voltou a mentir, ele voltou a pecar. Ele voltou a sorrir, ela voltou a chorar. Ela voltou a fugir, ele voltou a ficar... com a alma leve de pés no chão e assim, voltou a voar, pois todo fim é recomeço. O apagado ficou aceso. O que era reto e chato, ficou do avesso. A guerra virou sossego. Passear de mãos dadas com o coração. Lavar tristeza, água e sabão. Trocar presença por solidão. Assim, o certo ficou incerto; o longe se manteve perto. E o incerto, chato. Saudades morando ao lado. Aí, ela voltou a pedir, ele voltou a tentar. Ele voltou a vestir (a carapuça), ela voltou a brigar. E assim voltaram a ficar... com as almas soltas no espaço perdido. Voltaram a cair e a se machucar. Assim, o aceso se apagou. O reto de vez se entortou. A paz cessou, no horizonte que se apertou. E sem saída, constataram: Todo fim é fim mesmo.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Parada Obrigatória...

Às vezes a distância é a melhor coisa que pode acontecer.

Na guerra ou na vida, períodos de recuo são essenciais em qualquer boa estratégia. Ou simplesmente acontecem, atropelando nossa vontade - mesmo assim, continuam sendo estarrecedoramente úteis (depois de passada a raiva por termos sidos detidos na marcha, claro). Eles nos forçam a enxergar a situação sob outro prisma, com mais frieza e, por isso mesmo, de forma mais acertada e isenta dos erros de julgamento que a intensidade e a bile nos levam a cometer (o significado do ditado chinês "o lugar mais escuro é sempre debaixo da lâmpada" tornou-se, de repente, tão claro para mim como areia em dia de sol).

O grande barato de, vez por outra, nos distanciarmos do que nos importa é sentir o que esse redimensionamento nos causa. E seja ele qual for, a retomada nunca é insípida: ou nos faz enxergar a placa de "rua sem saída" que teimávamos em não ver ou, feito polimento em prata, devolve o brilho ao que o tempo havia enegrecido. Talvez por isso alguns casais só se entendam depois de uma separação: a dor, a sensação de ficar sem centro gravitacional, não ter mais ali ao lado quem se ama, pode provocar verdadeiros milagres na dinâmica de uma vida em comum (e na vida solo). Mas não podemos contar com milagres, precisamos da razão. O problema é que nossa suposta sapiência tende a sub-avaliar o que se tem ou (talvez seja pior), exagerar na importância e, se quisermos ser felizes, é inútil proclamar independência emocional ou tornar-se escravo das paixões. Qualquer extremismo nos isola-e, curiosamente, é só dando um pequeno mergulho na solidão que compreendemos o valor do que nos rodeia e mora dentro de nós.

Tente um Monet

Depois de sofrer feito o cão por encarar tudo na base do oito ou oitenta, fiz um pacto comigo mesma: jamais levaria coisa alguma a ferro e fogo porque nada importa tanto. Absolutamente nada é imprescindível. Nem ninguém. Esse não é um discurso de auto-suficiência, pelo contrário, é uma reflexão de alguém que aprendeu na porrada (ou melhor, no choro) que só relativizando, tornando a existência e o coração mais leves, é que se pode ser feliz e, então, ser feliz com alguém. Pare de arrastar correntes, levar tudo tão a sério: a única coisa que você vai conseguir é uma úlcera. Cuide de quem ama mas não faça disso o objetivo da sua vida porque ficará, inevitavelmente, frustrado quando não tiver deles o que deu pra eles. Ou não tiver deles o que você ACHA que eles deveriam devolver. E será bem feito: você fez o que quis, porque quis, então não venha reclamar o troféu. Não existe prêmio para quem doa amor. Por isso, distanciar-se deveria ser uma tarefa cotidiana: evitaria que fôssemos sugados pelo redemoinho que sempre começa logo ali nos nossos pés, mas estamos ocupados demais pra ver. Evitaria que exercêssemos de forma tão eficaz, e perigosamente despercebida, nossos piores defeitos.

Quando algo começar a te enlouquecer, enfernizar ou surtar, use a técnica dos grandes admiradores de arte: recue diante da tela, mude de ângulo em relação a ela, observe as cores, os traços e os detalhes que, na correria, sempre passam despercebidos. Então notará que ela é muito mais do que aquele ponto preto que ficava, insistente, diante dos seus olhos.

Ser feliz, no final das contas, não é questão de sorte ou azar. É questão de perspectiva.
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(Ailin Aleixo)

terça-feira, 19 de abril de 2011

Amor maduro...

"O amor maduro é a valorização do melhor do outro e a relação com a parte salva de cada pessoa. Ele vive do que não morreu, mesmo tendo ficado para depois, vive do que fermentou criando dimensões novas para sentimentos antigos, jardins abandonados, cheios de sementes..."
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(Artur da Távola)

Setecentas vezes...

"Minha boca já perdeu o fôlego de contar quantas vezes te mandou embora. Setecentas vezes e mais essa. Minha capacidade de me enxergar em dois lugares ao mesmo tempo me rendeu uma espécie de estrabismo sentimental. Meu coração, minha cabeça, meus braços andam cansados de querer coisas. Não é desejar coisas que me comove, mas não saber do que será. Querer, um dia a gente consegue. Não saber é entregar a emoção à primeira tormenta. Não saber um futuro, não saber um nome, não saber uma esquina, não saber um perfume, não saber um fim."
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(Gabito Nunes)

domingo, 17 de abril de 2011

Resistência...

"Eu sinto qualquer coisa parecida com culpa, pesar, dor. Ainda que as lágrimas não caiam, eu não grite, não teste minha resistência etílica e estomacal. Um vazio cheio. É que meu mal é pensar. E eu andei pensando. Se houvesse qualquer conselho a dar para os outros com relação a mim seria: Me faça sentir, tanto e tanto que não me sobre espaço para pensar. Pensar me estraga. Essa minha racionalidade me impede e muito de me entregar, acreditar, esperar qualquer coisa de homem algum. E falo da espécie não do gênero. (...)"
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(Luana Gabriela)

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Ainda que...

Chegou a hora de confessar o claro inconfesso: você já não cabe mais em mim pra te guardar como eu tenho te guardado. Você foi semente que firmou raízes e cresceu a conquistar céu de noite infinita com cheiro de pasto verdinho em cena épica de reencontro, que até parece conto bonito, daqueles de se contar pros netos quando a gente tiver alguns deles, ainda que você não saiba. Quero ouvir da tua boca, o silêncio que te acompanha quando teu sorriso me alcança, ainda que sem querer. Você, silêncio; eu, palavras; como gotas de carinho com forma que se juntam e se acham pra dar o seu recado: que você não faz ideia do quanto eu quero me fazer bonito por você ser parte da minha vida, ser trecho destacado da história que espero vir-a-ser; do quanto você me faz querer ser um homem melhor, por brindar e beber da tua presença. Sabe, beijo é mergulho. Queria mergulhar; no momento de amor que se anuncia como nosso, ainda que você nem suspeite disso. Quero colorir tuas vontades, ainda que você nem desconfie das minhas cores. Hoje eu te amo, porque ontem amei você e amanhã vou amar também. E desde então que sempre te amo, sempre será tempo pra nós dois; por isso te aguardo. E ainda que este sempre pareça demais, contigo, o agora me é suficiente. Quero ser aconchego; ser todo um universo que se declara e se derrama e se confessa e se encanta e lhe toca como deusa; teus pés, boca, mãos, sorriso, pele, cheiro. E ainda que você não habite o meu templo, e ainda que você não me encontre no altar que decorei; ainda que você não se revele aos meus olhos o teu corpo, teus desejos e teus sonhos, por você espero. Seja como for, eu sei e você sabe que, o Amor é sempre bem vindo.


"Quando varrerem estrelas, pede para jogá-las sobre nosso telhado." (Yeda Prates Bernis)

terça-feira, 12 de abril de 2011

Oriente...

"Seja objeto
do meu mais desesperado desejo
não seja aquilo
por quem ardo e não vejo

seja a estrela que me beija
oriente que me reja
azul amor beleza

faça qualquer coisa
mas pelo amor de deus
ou de nós dois
seja"
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(Paulo Leminski)

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Porventura...

"Se sua rua porventura aparecer
coberta de pétalas caídas
pela inclemência
de um vento qualquer,
não faça nada.

Deixe-a assim desordenada
e descabida.
São reticências que sobraram da estação passada.
Acabarão varridas pela própria vida."
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(Flora Figueiredo)

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Que importa...

"Que importa o caminho
da garrafa que atirei ao mar ?
Que importa o gesto que a colheu ?
Que importa a mão que a tocou
— se foi a criança
ou o ladrão
ou filósofo
quem libertou a sua mensagem
e a leu para si ou para os outros.

Que se destrua contra os recifes
eu role no areal infindável
ou volte às minhas mãos
na mesma praia erma donde a lancei

...se só de atirá-la às ondas vagabundas
libertei meu destino
da sua prisão?"
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(Manuel Lopes)

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Compreensão...

"Penso que tu estás para o verão em seus últimos dias quando o sol já se distancia e exibe no final do dia aquele vento que vem anunciando o outono, e a paisagem se intensifica numa beleza natural exibindo aos olhos um entardecer intrigante, que nos pede uma cadeira no meio do nada, um pouco de silêncio e contemplação. Pede ainda um cálice de vinho e o aconchego natural das palavras inventadas. Um olhar para dentro e uma compreensão íntima sem perguntas ou respostas." (Lunna Guedes)

terça-feira, 5 de abril de 2011

Amargo...

Arrogando-se no monopólio do bem e do justo ao coroar a si mesmo como dono da verdade, acima do bem e do mal e além das dores do mundo, multiplica feitos, fatos e ganhos, em faz de conta que a si próprio engana; em que torna real seu cenário de herói. Com fantasia de sábio a ser descartada depois de cada carnaval na vida alheia, veste arrogância disfarçada de sensatez. Evita ler com os olhos míopes da alma, as lições do Ser que a vida ministra; ele apenas decorou sabedoria, a se gabar do que nada entende, mas que repete muito bem. Sobe alto em seu ego pra de lá fazer palanque e bradar suas verdades, distraindo o seu próprio tamanho com mentiras que a todos engana e a si mesmo convence. Tem alergia às correções, e não há tropeço ou pedra no caminho que faça descer nariz empinado abaixo da linha do horizonte. Por isso, quer ver além, mas não vê nada. Joga todas as oportunidades pra debaixo do tapete, ao adoçar o amargo com adoçante e não com luta transformadora a suavizar no porvir, o gosto dos inevitáveis desafios a permear casca dura e encontrar raíz dos seus males, curando-o de vez. E por isso mesmo que, quando no fogo atravessa, não purifica, porque não dói, esquecendo-se, assim, de avançar, por pensar que já caminhou demais. Assim, é o outro quem carrega o peso, negando-se a dividir tarefa pelo falso sentir-se realeza; leva consigo apenas os elogios que coleciona aos montes. A coroa é de brinquedo. Seu manto, lençol sujo e pueril. Precisa crescer; de dentro pra fora.

"A única vez que me enganei, foi quando pensei que houvesse me enganado".

segunda-feira, 4 de abril de 2011

E letras...

"Hoje flutuam na Alma
restos de desejos rosados
cinzas estelares azuis
migalhas de sonhos violetas.

Cintilam sentidos soltos
cores,
farelos de luas e letras..."
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(Ana Luisa Kaminski)

sábado, 2 de abril de 2011

Ancorado...

"Quando já não havia outra tinta no mundo o poeta usou do seu próprio sangue.
Não dispondo de papel, ele escreveu no próprio corpo.
Assim, nasceu a voz, o rio em si mesmo ancorado.
Como o sangue: sem voz nem nascente."
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(Mia Couto)

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Jardins...

"Não mais chicletes grudados no pé. Não mais pessoas flutuantes na cabeça. Não mais pôr-do-sol ser nostálgico. Não mais saudade, bala na agulha, resposta pronta. Não mais carregar gente comigo, na bolsa, nos ouvidos, na garganta. Quero me pesar e ter a certeza que o número na balança pertence somente a mim. Não mais joelho ralado, queixo ralado, coração ralado. Quero andar nas montanhas, ver meu vestido voando e ser seguida por pássaros. Entre meus sonhos e seus jardins."
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(Camila Heloíse)