sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Sopro...

(...) após longo combate do Amor para sobreviver, morreram. E então, fez-se um silêncio. Silêncio árido, denso, amargo; daqueles de enlouquecer os feridos. Aquele silêncio de cemitério, de campo de batalha em que viveram suas mágoas e trincheiras. Eles resistiram e se carregaram, até abrirem mão. Não se sabe se sucumbiram ou se renderam a este silêncio. Silêncio de não mais ver os olhos e de não saber da pele.  Cobranças cortaram, lembranças traíram, nas noites se odiaram e na manhã refizeram-se, mas não puderam, não aguentaram. E quando menos esperavam, quando aguardavam o perdão e a renúncia dos erros num amanhã ilusório de paz; tombaram de exaustão, sem fôlego, de solidões partilhadas e interrogações infindáveis. Morreram sem saber viver; viveram sem saber amar. Acreditaram sem poder seguir. Pela gastura dos laços e dos frágeis alicerces da relação, um mero sopro os derrubou. Um tropeçar ingênuo que os atirou ao precipício. Uma farpa qualquer que os rasgou em sangue o peito. Quando mentira foi uma verdade imprevisível, morreram de sopro no coração.

2 comentários:

Caroline Rohwedder disse...

Parece que li uma parte (dolorida) da minha história nesse texto.

Sempre venho no blog, está muito bem escrito.

Abraços

Poeta da Colina disse...

é o que é preciso para tudo ruir, uma fresta.