quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Artesão...

Aos que nascem e morrem nas palavras: em que nelas se encontram, mas também se perdem; em que nelas se ferem, mas também se curam; os que nelas abrigam, mas também expulsam. O poeta é o artesão do silêncio que leva vida inteira para provar do próprio fruto. Aquele que escreve escolhe paisagens já vividas ou colore alguma nova de que queira falar. Universo ilimitado de possibilidades que nem sempre nos pertencem, mas que nós as expressamos com nosso singular perfume. Não precisa o poeta acreditar naquilo que escreve, exceto no instante em que escreve, pois o artesão dá a vida a sua escultura, mas não é ele o barro; o jardineiro floresce os jardins, mas não é ele a terra. Criador é reflexo, mas nem sempre a imagem. Ele é sopro, a criação e a própria criatividade que em sua obra habita. Ele conta lágrimas, ainda que por detrás do pano sorria. É vendaval, ainda que tenha amanhecido azul sereno. O poeta ao publicar sua poesia dela se liberta; pois o que a arte exige do artista é a devoção à sua obra ao criá-la, e não fidelidade a ela depois de pronta. Aos que nascem e morrem nas palavras, mas que também as transcendem: o artesão traz ao mundo o sublime e o sagrado quando confessa nas palavras, o infinito; para ir depois tomar sua cerveja, fumar o seu cigarro e beijar sua amante.

4 comentários:

Poeta da Colina disse...

Acho que o importante está neste final. O poeta jamais abre mão de ser humano.

Carol Machado disse...

Não somos nada, sem alguém ou algo para nos apoiar.

http://taotao-distante.blogspot.com/

Suu Munizz disse...

Olha fico maravilhada com os teus escritos,porque escrever assim compaixão,propriedade,sentimento é realmente maravilhoso.
O poeta pode ser solitário,mas nunca estará só porque a poesia o acompanha e da sua tristeza sabe tirar as palavras que amanhã serão motivo de sua alegria.
O poeta é humano e ao mesmo tempo divino,pois sabe sentir e viver cada palavra e sabe dar aos outros o prazer de sentir o mesmo.
Abração e ótima semana,=)

poemasavulsos disse...

"O poeta é o artesão do silêncio que leva vida inteira para provar do próprio fruto."
Prosa poética de um estilo metalinguistíco apreciável!

Agradou-me a referência ao estilo bôemio dos poetas:
"...para ir depois tomar sua cerveja, fumar o seu cigarro e beijar sua amante."