quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Inverno...

O Amor que você roubou quando fugiu pra longe sem me avisar, quando você pôs fogo em tudo sem daqui me salvar, transformou Deus no diabo, virtude em pecado, encanto em descaso e meu sossego em rancor. Corri do eterno a me entregar pra dor que restou pela teu partida; e nas veias hoje corre o veneno que me castiga a querer te castigar também e te cobrar pela despedida. Rasgo a pele com doçuras e me sufoco entre os tantos sonhos que colhi no teu abraço. Por ora escolhi coloridas ilusões a enfeitar a vida cinza que me alivia do desgosto; protegendo-me da luz que me aponta pra qualquer amanhã sereno. O céu infinito esmaga o peito com o peso das estrelas no árido deserto que chamo agora de sentir. E no caminhar sem rumo e sem jeito, nas lágrimas mato a minha sede. Teu abandono ainda me fere nas notas mais agudas e os teus erros, ecoam na minha memória nos mais vivos tons. Queria destronar o passado como página amarelada pelo tempo que desmentiu suas palavras, pois você arrancou da minha boca o sabor do sorrir e do meu corpo a leveza dos passos. Você despertou minhas sombras que no chão dormiam enquanto inocente eu confessava minha gratidão. Sou moribundo a ter querido morrer antes mesmo de você me matar; por isso, tornei-me a poesia da morte que sopram os lábios querendo calar tuas lembranças. Desconheces como a ausência tua arrancou meu coração do peito, e minha alma que por aqui restou, amor jamais poderá sentir novamente. Não há mais amargo que possa impedir o meu verão de chegar. Já é inverno.


"Por que o meu sofrimento não pode, pelo menos, ser dotado de alguma dignidade? Quando os outros autores sofrem, é uma coisa épica ou cósmica, ou então avant garde, mas quando eu sofro é palhaçada". (Erica Jong)

5 comentários:

Erica Maria disse...

Lindo e doce!

Te convido a conhecer meu novo blog:

http://loouysee.blogspot.com/

Bjos, adoro vir aqui me impregnar de sentimento !

Poeta da Colina disse...

A questão a cada inverno é se a chama permanecerá acesa.

Natália Campos disse...

Belíssimo. Rapaz, você escreve lindamente! Tem dom nas palavras. Que bom que me encontrou, e se isso não acontecesse, de alguma forma o encontraria. Obrigada pelos comentários em meu blog. Grande beijo :)

Carol Righetto disse...

O inverno precisa passar pelo silêncio das sombras para revertir-se de primavera.

Alê disse...

Gui,


Me vi em todo esse texto seu,

De uma brisa infinita,


Sempre doce, mesmo quando gelado,



Bjkas