quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Um pouquinho...

Quando brisa mansa se fez vento forte, arrastando promessas e sonhos a tornar árido meu reino da esperança e deserto o jardim das minhas cores, vem você semear sorrisos e reconstruir horizontes. Quando tristeza é tom e cansaço é o som dos meus passos, sob o vendaval que me arrasta pra longe do templo do amanhã, aparece você adormecendo as aflições e me ensinando serenidade. Quando verso é tema incerto das minhas crenças, e amor o saldo devedor pelas fichas perdidas e ruas tortas, você se aproxima a me acolher no teu abraço-abrigo. Quando o desengano são as únicas portas abertas com as quais me deparo, chega você bordando luz; trazendo resposta pra qualquer uma das minhas aflições, e doçuras pra qualquer um dos meus amargos. Quando bebo da miséria da solidão em que silêncio é qualquer vazio a engolir minha direção, ainda que as estrelas me apontem a caminhada, vem você prenunciar meu ano novo e a importância do desapego. Quando verdade pra nada serve mais e recolho então as velas da minha jangada, ouço tua voz falar do perdão que conforta e da necessidade da coragem. Quando não quero mais e me satisfaço com metade, chega você apontando o inevitável mergulho na vida, a saciedade da entrega e os milagres da rendição. Quando sou grosso, vestes tu a singeleza. Quando sou demasiado, sussurras tu as entrelinhas. Quando sou seco, choves tu no meu quintal. É tua presença, teu carinho, tuas palavras, teu silêncio, tuas cores, teu bem-querer, nossos laços, amassos, filosofias, desejos, encontros, sonhos e vontades que alimentam minha alma e me fazem bem, ainda que flor queira morrer um pouquinho por não acreditar hoje e só hoje, no florescer.

"A neve e as tempestades matam as flores, mas nada podem contra as sementes". (Khalil Gibran)

2 comentários:

Alessandra disse...

que texto mais lindo!

Tai Jasmine disse...

que perfeito!!! amei!!! =P