segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Lógica...

(...) e na lógica da sedução, enfeitou o corpo de encontro e a pele como linguagem. A língua como convite. Tomou do vinho e do desejo; o gemido a voz da alma; no sexo, o seu diálogo. O lençol era descanso na madrugada que amanheceu silêncio. Amante mercador de promessas; carregou consigo todos os seus amores. Desnudou o corpo mas não se revelou inteiro. Olhos que amam porque fechados; encontros marcados porque carentes. Não soube o coração escolher os seus caminhos; prazer era seu único mapa; álcool era o seu único desapego. Armou o descaso, amava o passado, retribuia vazios, sofria calado, sorria mentindo a semear ilusões por cada porta que cruzava. E na lógica avessa do esquecer, trilhou a ponte entre as saudades e o amanhã; sem jamais chegar. Sabia incensos, velas, seda, perfumes, pegadas, ritmos e cor das cortinas. Só não sabia mais de si.


"Estou nu diante da água imóvel. Deixei minha roupa no silêncio dos últimos ramos. Isto era o destino: chegar à margem e ter medo da quietude da água". (Antonio Gamoneda)

Um comentário:

Poeta da Colina disse...

O si é o primeiro passo para se perder.