sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Os dois vasos...

Ganhou ele dois vasinhos bonitos que a vida lhe deu; para que assim aprendesse a cuidar de si e de cada uma das flores que em cada qual residia. Apaixonou-se pelas diferenças; das cores e da fragrância gostosa que o encantava. Passaram a enfeitar seus dias em distintas formas e tons que ali abrigavam, ainda que alguns de seus frutos, amargos, nutriam-no em promessas de fartura e longa companhia. Noutro, sempre doces, não havia de vingar, por mais que se satisfizesse o paladar ou contemplasse sua beleza. Em um lhe cabia o zelo para evitar seus espinhos e no outro, apenas o perfume de suas flores. E o vaso que a ele parecia mais gasto, seria também o mais forte. E no mais formoso, o que melhor parecia acolher as sementes do porvir. Eram os vasos, suas amantes. Seus frutos, seus prazeres. E em cada qual abrigavam todos os seus amores. Eram indispensáveis. Mesmo assim, uma há de morrer pois, no cantinho de sua alma em que o Sol habita, cabe carinho apenas pra uma delas. Não se sabe qual.


(Guilherme C. Antunes, vulgo "eu", em 19.11.10)

4 comentários:

Menina no Sotão disse...

Não se sabe qual. Realmente. E como escolher. Como saber. Como olhar com distinção. A vida sempre nos pede isso e a gente as vezes recusa, enquanto pode, mas chega o momento em que se precisa definir...
Enfim, a vida é uma constante escolha. Se certo ou errado só sabemos no passo seguinte.
bacio

LoucaDeMente disse...

Bela reflexão...

Talvez... só talvez...

Se pudéssemos em um só vaso enxertar as duas plantas e num só vaso cultivar em harmonia todas nossas sementes... Talvez...

Beijocas-reflexivas

Solange disse...

não se sabe qual..
não se sabe como..
não se sabe..

bjs.Sol

Tânia F. disse...

É certo que dois vasos possuem flores, distintas como dois amores. E, de fato, as diferenças são apaixonantes. Mas ora queremos frutos (ainda que) amargos e longa companhia, ora queremos a doçura e simples perfume. Qual você deseja agora, nesse minuto? Não posso afirmar que exista um vaso melhor que outro, sempre são perfeitos e bastam-se, perfeitamente distintos. Como escolher entre perfeições?