segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Metáforas...

Diante do seu riacho fluido de Consciência, sentou ele à margem para observar; silenciosamente, os sutis movimentos da paisagem que o acolhiam. Olhou para as águas, turvas, como sentimentos seus. E percebeu que fora ao longo de sinuoso percurso que riacho se contaminou, mas que sua fonte, secreta sob o céu e as montanhas, continuava doce e pura. Tomou em suas mãos cascalhos e pedras, analisando uma a uma como se pensamentos fossem, separando aquelas que enegreciam suas águas com limo e sujeira, ou a destoar sua elegância, daquelas outras que compunham harmonia, deixando correnteza levar o resto que não servia. Sabia ele que o riacho era na verdade rio profundo, de fundo lodoso e movediço em muitos dos seus trechos. Tinha medo de atravessar e se afogar, afundar, morrer; de enfrentar o fluxo que o convidava a se entregar  e desaguar, em qualquer lugar ou em lugar nenhum. Sabia também que entre lama e limo, escondia o rio tesouros que só ele conhecia, mas que não mais (se) achava. E pela cinza nuvem a fazer chuva como tristeza do céu que o velava, tempestade era seu descontrole a inundar e arrancar as flores, destruir as casas, afastar amores e acabar com as vidas pelo caminho. Entendendo que os seus excessos viriam da mudança do seu curso, removeu entraves. E assim, aprendeu a nadar. Limpou o rio e construiu pontes; ajeitou leito que não era mais de morte e bebeu a vida, daquela mesma água; alimentando pássaros, céus e sementes. E quem mais viesse.

2 comentários:

Menina no Sotão disse...

Que bom que existe esperança e que podemos ser rio e seguir em direção ao mar, onde podemos desaguar tudo que temos em nós e quem sabe assim ser maior do que realmente somos. Aprender é uma dádiva, mas pode levar uma vida inteira e ainda assim vale a pena. bacio

Solange disse...

Guilherme..
o dom da palavra que tu tens, encanta e emociona..
revela-se e silencia na medida certa..
e enxerta dentro de nós, esperanças perdidas..

bjs.Sol