quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Menino...

(...) e o menino, que vivia com a cabeça nas nuvens, ainda tinha medo de tirar os pés do chão. Distraído, acompanhava as estrelas sem perceber que nas flores ele pisava. Saberia ele decidir onde ficar? Pois se perdia ao tentar se encontrar. Até que soube dos passarinhos que no ar viviam e na terra também se aninhavam. Viu cometa que rasgava o céu sem nele dor trazer. Viu semente que morria pra contar suas cores e se tornar novamente aquilo que um dia ela foi. Viu a vida acontecer acima e abaixo do horizonte que trilhava. E depois de tanto adoecer os olhos com tristezas, tratou de cuidá-los com poesia, na terra macia em que depositava sua fé e o seu Amor. Amor este que lhe lembrou das verdades esquecidas pela cabeça, mas sabidas desde sempre pelo coração: Que vida é feita de esquinas de muitas cores. Que caminhar é escada de degraus infinitos. Que o que não mata nos fortalece. Que culpa e medo são apenas prisões. Que quando se dá um passo em direção à Existência, ela dá mil na nossa direção. Que às vezes a gente ensina aquilo que mais precisa aprender. E que amanhecer, tecer, buscar e encontrar são atributos do espírito. Semeando seu coração no jardim que esqueceu, soprou alto tudo aquilo que viveu. E sentiu, que podia ele andar leve no verde e beber do azul. Era ele filho da Vida. Os caminhos todos lhe eram seus. As bençãos todas lhe eram suas. Com as asas que se machucaram, sabia ele cicatrizarem mais plenas no amanhã. O céu lhe pertencia. Arriscou entrega. Voou.

"Quem quer que haja construído um novo céu, só no seu próprio inferno encontrou energia para fazê-lo". (Nietszche)

4 comentários:

ϟ Cynthia Brito disse...

"Às vezes a gente ensina aquilo que mais precisa aprender..." Adorei :)
E com as asas que temos arriscamos, sim, voar pelos rumos que a vida nos dá...

Sábias palavras, Guilherme!

Talita Oliveira disse...

Esse menino do texto é bem parecido com a menina aqui.

Gosto do seu blog. Muito, por sinal!

Beijos!

Pipa. A Pipa dos Ventos. disse...

Melhor não dizer nada. O espanto é mudo.

Gabriele Miquelitto disse...

Qual seria a graça da vida, senão se aventurar em nuvem escura, se molhar na tempestade e depois ressurgir no céu azul e saborear as cores de um belo arco-íris? Vôo + turbulências + pouso tranquilo = viagem emocionante.