terça-feira, 13 de setembro de 2011

Cadinho...

Rendido às promessas do sol, sou do avesso. Faço do cansaço minha sombra e da queda o meu compasso. Rendido às juras da lua, sou loucura. Enfeito caminho com fita onde amarro meus sonhos no pulso; sonhos de todas as cores, pra colorir minha vida e namorar meus amores, pra sarar minhas feridas e curar minhas dores. Caminho entre os trevos e folhas de arruda; a fechar meu corpo todo pra tristeza e abrir Alma toda pro sorriso. Visto-me de cantigas e paisagens; faço da nuvem travesseiro e traço de giz o horizonte que escolho pra mim. Convido a boa-sorte pra ser meu par; e nas tempestades, danço chuva e tomo banho de descarrego. Canto outras línguas, falo outros olhos, dou voo às asas, trago o céu às estrelas e presenteio metade com inteiro. Sou grão, sou chão, a terra, a mãe, besouro, e o centeio. Tenho planos de salvar o vento e a semente, do esquecimento. Pois sou lembrança liberta de passado empoeirado que ensina lição do vir-a-ser. Porque cabe liberdade e canção toda num só passarinho. Porque meu Amor vive no teu nome; e porque minha paz mora no teu abraço. E desajeitado com a coerência das palavras, confesso um mundaréu de esquinas e novidades aqui ocultas, pedindo todas elas por cadinho de sabedoria. Saber que revela. Sabor que me nutre. Amor que me (im)pulsa. A me aceitar ponte entre céu e precipício, sombras e doçuras; costurando uma na outra pra ver qual desenho eu serei amanhã. Sou alegria que se junta nos verbos em que me conto e nos pronomes em que estou pra falar nas entrelinhas minha gratidão por ser, estar, permanecer, ficar, partir, voar.

Um comentário:

Priscila disse...

Encantada, poeta, como sempre. E, para o meu prazer, descobri um uso inteligente, para os parênteses...
sempre aprendendo. :)))