segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Avesso...

Viver é mar que não espera por pés que se acostumem com ondas que vem e vão. Também não se entra aos cadinhos, tanto na vida quanto no mar, já que não se avança nem se aproveita passeio com receio de que maré derrube ou que água gelada espante. Porque o mar te pede inteiro e a vida pede mergulho, ainda que não dê pé. Porque o mar te recebe todo e a vida te pede entrega, ainda que corrente te leve pra longe ou belas conchas possam cortar. Lembra-te que existem mais belezas e cores do que perigos no fundo do mar ou no palco da vida; mas que as tolas distrações serão motivo pra deixar que sol bonito queime a tua pele e água salgada lhe amargue a boca. Lembra também que medo não é bóia, é naufrágio. E que horizonte é teu único limite. Aprende-se a nadar no mar do mesmo jeito que se aprende a viver a vida. Não há como saber se você não estiver dentro. Maré nem sempre respeita castelo de areia; construa-o mesmo assim porque, ainda que não dê pé, ainda que falte fôlego, ainda que canse, ainda que morra, ainda que parta, mergulha! Porque toda partida é chegada. E toda morte é nascer. Do avesso, por certo.

2 comentários:

Solange disse...

mar e vida..
vida e morte..
renascimento..

bjs.Sol

*Simone Poesias* disse...

Lindo texto Guilherme, sempre muito reflexivo.

Um grande abraço XD