Como os olhos que procuram chave de casa nas manhãs atrasadas de segunda, sou aquela busca apressada do coração por um canto amoroso. Um canto em que se descanse tristeza; em que se acenda esperança e aquela vontade de respirar fundo, sacudir a poeira e seguir adiante, sem previsões de cinzas nuvens daquelas que me fazem correr de jardim bonito e me abrigar assustado em qualquer lugar. Sem previsões de jornais de que hoje não é dia bom pra sair de casa. Sem dedos apontados no rosto da verdade, nem da mentira. Sem vestir o peso das certezas e da sobriedade. Quero canto amoroso que me ensine a nadar; e que o mergulho seja daqueles de bater com o coco no fundo do rio. Procuro por pessoas que também saibam nadar na vida, a não nos deixarmos afundar ou cansar na correnteza. Quero sede ao pote e pés pelas mãos, ou pés na jaca, sem melindres, pisar em ovos, agulhas no palheiro. Não quero mais provar a vida de canudinho (nem nada a ninguém); e engasgar quando me acho desatento. Quero mais sabores, onde os laços sejam de cores, as lágrimas sejam de amores, o encontro seja de dois. Quero convidar o Amor agora, e não depois, pra dançar ciranda e ouvir canção de ninar naquele meu canto, o amoroso. Quero interditar meus porões e dias pela metade. Procuro na vida laços que me ensinem tal inteireza; anunciando no trovão que sou tempestade mas também chuva leve pra deixar terra com cheirinho bom. Ser fogo que consome casa velha e labareda pra me consertar. Fogo pra me aquecer no perdão. Paz pra costurar doçuras. Quero tanto atravessar meus medos e esquinas só pra te saber feliz, ainda que do lado de lá. E me fazer feliz, em qualquer lugar; pois quando me contentar com o que tenho e dispensar as exigências, sei que vou lembrar daquilo que teimo em esquecer: que os barulhos e ruídos da vida lá fora; a música e a bagunça da Alma aqui dentro, são apenas estratégias da própria vida, de realçar o silêncio que revela a verdade das coisas, dentro e fora da gente. Por isso, fecharei os olhos e mergulharei na vida; e vou descobrir que coração sabe por saber e alma sabe por sentir. Diante das sombras, os olhos refletem a luz de dentro. E canto amoroso, é qualquer canto onde construo o meu Amor.
"Não ando muito urgente ultimamente. Ando no meu tempo". (Vanessa Leonardi)
"Não ando muito urgente ultimamente. Ando no meu tempo". (Vanessa Leonardi)


2 comentários:
Nossa Guilherme, você construiu uma linda poesia, essa sua busca, é a minha e de muitos outros...
Beijos =***
Quero, e logo. Sem pressa e agora.
Texto tão lindo! Vi nele uma boa parte de mim.
Beijos
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