segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Pela busca...

Como os olhos que procuram chave de casa nas manhãs atrasadas de segunda, sou aquela busca apressada do coração por um canto amoroso. Um canto em que se descanse tristeza; em que se acenda esperança e aquela vontade de respirar fundo, sacudir a poeira e seguir adiante, sem previsões de cinzas nuvens daquelas que me fazem correr de jardim bonito e me abrigar assustado em qualquer lugar. Sem previsões de jornais de que hoje não é dia bom pra sair de casa. Sem dedos apontados no rosto da verdade, nem da mentira. Sem vestir o peso das certezas e da sobriedade. Quero canto amoroso que me ensine a nadar; e que o mergulho seja daqueles de bater com o coco no fundo do rio. Procuro por pessoas que também saibam nadar na vida, a não nos deixarmos afundar ou cansar na correnteza. Quero sede ao pote e pés pelas mãos, ou pés na jaca, sem melindres, pisar em ovos, agulhas no palheiro. Não quero mais provar a vida de canudinho (nem nada a ninguém); e engasgar quando me acho desatento. Quero mais sabores, onde os laços sejam de cores, as lágrimas sejam de amores, o encontro seja de dois. Quero convidar o Amor agora, e não depois, pra dançar ciranda e ouvir canção de ninar naquele meu canto, o amoroso. Quero interditar meus porões e dias pela metade. Procuro na vida laços que me ensinem tal inteireza; anunciando no trovão que sou tempestade mas também chuva leve pra deixar terra com cheirinho bom. Ser fogo que consome casa velha e labareda pra me consertar. Fogo pra me aquecer no perdão. Paz pra costurar doçuras. Quero tanto atravessar meus medos e esquinas só pra te saber feliz, ainda que do lado de lá. E me fazer feliz, em qualquer lugar; pois quando me contentar com o que tenho e dispensar as exigências, sei que vou lembrar daquilo que teimo em esquecer: que os barulhos e ruídos da vida lá fora; a música e a bagunça da Alma aqui dentro, são apenas estratégias da própria vida, de realçar o silêncio que revela a verdade das coisas, dentro e fora da gente. Por isso, fecharei os olhos e mergulharei na vida; e vou descobrir que coração sabe por saber e alma sabe por sentir. Diante das sombras, os olhos refletem a luz de dentro. E canto amoroso, é qualquer canto onde construo o meu Amor. 


"Não ando muito urgente ultimamente. Ando no meu tempo". (Vanessa Leonardi)

2 comentários:

Patrícia Rocha disse...

Nossa Guilherme, você construiu uma linda poesia, essa sua busca, é a minha e de muitos outros...

Beijos =***

Rachel Nunes disse...

Quero, e logo. Sem pressa e agora.

Texto tão lindo! Vi nele uma boa parte de mim.

Beijos