domingo, 21 de agosto de 2011

O Fulano da minha vida...

Ele sabe agradar da maneira certa e da errada também. Guilherme não é tão forte, apenas sente a necessidade de passar essa imagem. E pra isso é capaz de tudo. Mente, não tão bem. Machuca. Engana e maltrata. Atropela todas as suas vontades. Tanto esforço só pra se mostrar indiferente (ainda que esteja se corroendo por dentro). (...) E mesmo não deixando transparecer, é esperto o suficiente pra saber que orgulho não passa de orgulho. Não acrescenta mais nada a ninguém. Dificilmente ele olha nos olhos. Não tem frases decoradas para agradar. É tão normal que qualquer coisa fora do seu padrão, que fuja da mesmice, simplesmente o atraia. E, apesar de exigir (indiretamente) que o passem segurança. Segurança é algo que ele apenas pensa idealizar. Na verdade, o que o prende é a liberdade. Esse rapaz de postura forte e confiante, tende a intimidar tudo em volta. Quase como se desejasse esfregar na cara de todos. Um por um. Que consegue ter presença e ser discreto, mas que bobo ele não é. Resumindo: Guilherme é ridículo, estranho e tosco. O pior lado inverso da hipocrisia (seja lá o que isso queira dizer). Se não soasse tão cruel, diria que a vida dele é composta de vácuos. Nada que lhe acrescentasse algo, além de experiências (vazias) com mulheres, porres e ressacas. Ele pensa tanto em pensar em não sentir, que por fim, ele não pensa.

E nesse papo todo, sobre um sujeito estranho, seria injusto não admitir que, ainda assim, Guilherme é lindo e inteligente. Ninguém sabe o que se esconde por detrás da covinha da sua bochecha. Nem das bagunças do seu pensamento. Nem tampouco explicar esse pavor de olhar nos olhos. Talvez medo de encontrar um par de olhos que lhe digam mais do que deseja saber. Quem sabe, seja medo de encontrar olhos capazes de decifrar num só olhar, tudo aquilo que com tanto esforço ele teima em esconder. Decifrar desde os seus gestos, até seus sinais e desnudar sua alma a ponto de não sobrar um mísero mistériozinho pra contar história. No fundo, ele guarda uma segurança capaz de tranquilizar a mente mais insana existente (a minha, talvez). Ama liberdade, mas sonha em ser preso, no melhor sentido da palavra. Tem o dom de arrancar sorrisos de qualquer pessoa, em qualquer lugar, diante de qualquer situação. O tipo de cara que machuca, maltrata, engana. Mas cuida, se importa e sabe como ninguém o significado de respeito. 

Guilherme é um sonho de amigo (deve ser por tal motivo que disputam tanto sua atenção). Sonho de irmão, de mãe, pai, vó, vô, periquito e papagaio. É o sonho de toda mulher. Mal sabe, tadinho. Só vai descobrir quando se permitir perder esse medo de gente. (...) E então, amanhã ele vai valorizar, tudo aquilo que insiste em reprimir de si hoje. (...) Porque "Guilherme" é medo. É receio do quanto atitudes alheias podem lhe afetar. Eu já fui medo. Já fui... Quem eu quero enganar? Pra ser sincera, já fui "Guilherme". Contraditóriamente, Guilherme ainda está em mim.
.
.
.
(Ellen Brito) 

2 comentários:

Solange disse...

interessante..
gostei!

bjs.Sol

Maluco disse...

Nossa cheguei a pensar que vc me conhecia... adorei o blog...
Aguardo sua visita...
http://maxxpedagogo.blogspot.com/