Ela tem bichinho verde de estimação que encontrou em alguma fruta podre ao longo de suas andanças. Na verdade, não se sabe se tal bichinho verde é fruto do medo e da mágoa colhido em riachos passados ou, se é fruto de árvore da mentira e do mal-querer alheio. O problema é que o dito cujo a fez desconfiar do gosto sem ter ela nada provado; desistindo das cores sem ter novo fruto (es)colhido; fugindo de qualquer jardineiro ou brisa mansa que se achegue. Em suma: bichinho verde a fez desgostar do doce por senti-lo amargo em sua boca; sofrendo guria o medo de buscar entre novas promessas, doçuras a saciar coração faminto. Ou escolher entre jardins, caminho certo e não precipício; sem descansar inteira na sombra frondosa do Amor recém-chegado; receosa por sofrer ataque do vento, do tempo, ou de branca nuvem. E quando pelo cansaço baixa sua guarda, reina o ser que de si mesmo alimenta e a ela inteira o devora, a lhe causar gastura, tristeza, e inseguranças nascidas nela mesma. Monstro feio que antes era zeloso bichinho, comia pela beirada sua sanidade, ao trocar seu amor por desespero, sua alma por gaiola e leveza por descrença. O mal da naftalina é a vitória da traça, versava ele. Ciúmes era seu nome; apodrecer, o seu intento.
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
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2 comentários:
matando a saudade...
bjs.Sol
ih, eu acho que tive bichinho verde! rs. Adorei o texto Gui!
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