sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Bichinho verde...

Ela tem bichinho verde de estimação que encontrou em alguma fruta podre ao longo de suas andanças. Na verdade, não se sabe se tal bichinho verde é fruto do medo e da mágoa colhido em riachos passados ou, se é fruto de árvore da mentira e do mal-querer alheio. O problema é que o dito cujo a fez desconfiar do gosto sem ter ela nada provado; desistindo das cores sem ter novo fruto (es)colhido; fugindo de qualquer jardineiro ou brisa mansa que se achegue. Em suma: bichinho verde a fez desgostar do doce por senti-lo amargo em sua boca; sofrendo guria o medo de buscar entre novas promessas, doçuras a saciar coração faminto. Ou escolher entre jardins, caminho certo e não precipício; sem descansar inteira na sombra frondosa do Amor recém-chegado; receosa por sofrer ataque do vento, do tempo, ou de branca nuvem. E quando pelo cansaço baixa sua guarda, reina o ser que de si mesmo alimenta e a ela inteira o devora, a lhe causar gastura, tristeza, e inseguranças nascidas nela mesma. Monstro feio que antes era zeloso bichinho, comia pela beirada sua sanidade, ao trocar seu amor por desespero, sua alma por gaiola e leveza por descrença. O mal da naftalina é a vitória da traça, versava ele. Ciúmes era seu nome; apodrecer, o seu intento.

2 comentários:

Solange disse...

matando a saudade...

bjs.Sol

Ellen Brito disse...

ih, eu acho que tive bichinho verde! rs. Adorei o texto Gui!