sábado, 9 de julho de 2011

Salvação...

(...) buscava ele romance de livro que saltasse da linha e lhe tomasse todo o tempo, roubasse todas suas palavras, dissolvesse toda sua história e escrevesse próximo capítulo em traços de bem-querer. Deixou de fazer convites porque sabia ser encontrado, pela própria vida. Deixou também de cantar; porque era cantado em cada esquina, pelos pássaros coloridos a enfeitar amendoeiras. Elogios, todos sinceros; guardados como marca-páginas nas folhas escritas de solitude, a salvar o mocinho de vez em quando. Despiu-se das letras e despediu-se das lágrimas; desarmou-se de armadura de descrenças; fugiu da fortaleza dos desencontros; soltou-se das amarras de solidão para se sintonizar com ela: sua amada. Que, ainda que não a visse, sabia onde. E ainda que não soubesse, sabia quem. Sabia ele, ela. Sabia-se nela o seu romance, e a sua salvação. Escrevia carta sem remetente; capítulo sem nome. Escrevia seu amanhã. Sentia saudades do que ainda estava por vir...

Um comentário:

Priscila disse...

Bom demais acreditar, no que o futuro nos reserva... fechar os olhos, imaginar detalhadamente e depois, até sentir saudades.
Delícia! :)