Versava ele sobre verdades esquecidas pelo próprio coração, quando em dias passados inspirou perfumes. Pois queria a salvação do outro quando era ele mesmo quem se perdia. Tocava no rosto alheio a secar lágrimas com palavras, quando era ele quem se afogava. Contou tantas histórias pra si que se perdeu no enredo. Salvou o final de muitos mocinhos; embora se sentisse o torpe bandido. Virou poeta a se enfeitar de ilusões que não mais sabia distinguir seus carnavais de fantasias dos seus dias de branco. Pelos falsos contos e estórias de antes, azedou histórias e magoou com as rimas, passeando agora de mãos dadas com a tristeza, atendendo aos seus caprichos como se sua filha fosse. Chora nas letras, dói-se nas linhas. Seu lápis era veste rasgada a dar de presente trapos de belos detalhes. E em qualquer um encontrava sua vitória e seu lirismo, menos dentro do peito. Culpava o céu, a terra, e os espinhos por seus desencontros. Perdeu seu guia, esqueceu seu mapa. Queimou manual de bem-estar. Renascer era hoje apenas verbete do dicionário. Astronauta solitário a contemplar o medo entre as estrelas, gritava no vácuo do vazio, por resgate. Sorteia nos textos quem vai sorrir, quem vai chorar; e no seu caso, lágrima era seu grifo. Cobrava perdão da vida sem ter saldo pra isso. E não sabendo mais qual era seu valor, esperava apenas não levar o troco.
quinta-feira, 21 de julho de 2011
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4 comentários:
Quando leio seus textos, parece que entro neles e faço parte da história, rs. Adorei!
gosto demais de seus escritos..
este está fabuloso..parabéns.
bjs.Sol
Quando se tem o peito aberto para a vida, é inevitável o sofrimento.
Sejamos felizes pela dadiva de sentir ao extremo que, por mais que acarrete dores exacerbadas, temos a certeza de que sentimos e vivemos, intensamente. Independente dos caminhos.
Lindo texto! Muito me encontrei por aqui.
Um beijo na alma,
Fran.
Hoje estou culpando o céu, a terra, e os espinhos por meus desencontros...
Beijos Lunáticos =***
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