quarta-feira, 1 de junho de 2011

Parábola...

Quando chegou o homem ao templo da verdade, entregando sua vida à divina justiça ao final do seu viver; carregando bagagem de dores e alegrias, entrelinhas de fragrâncias e venenos, Deus, conhecendo o seu próprio filho assim lhe perguntou: "Te entregaste de corpo, alma e coração aos amores todos que colheste como flor em tua caminhada?" "Não!" disse arrependido o homem. "Arranquei pétalas e dizimei jardins com o peso do meu orgulho e com minha presunção. Faltei com meu inteiro. Me entreguei por tantas vezes pela metade nos braços de cada uma das minhas amadas, iludindo, descolorindo sorrisos e amargando corações, faltando com meu "eu" em cada peito. Semeei dores e desgostos enquanto sorvia o belo e o bom. Traí abraços, gritei canções erradas, troquei verdades pelos meus vis motivos e enganei suspiros de todas elas que confiaram seus perfumes, suas cores e seus beijos na minha boca seca. Por isso, dei do meu cinza-amor a cada uma e todas ao mesmo tempo, como souvenir barato, enquanto quebrava presentes e também as bençãos; inventei promessas e descartei seus sonhos". "E agora, com o que lhe sobra de virtude a decorar as vestes que acolhem teu nome, diga-me filho, de algo lhe serviu?" "Houve vez entre vazios preenchidos, laços partidos e desencontros muitos que conheci a boa sorte e a benção nos olhos perfumados dela; descanso nos seus longos cabelos cor de sol, desarrumados de jeito lindo nas manhãs de sua presença, pelo tempo pouco que pude ter com ela a felicidade de estar. E foi pelos seus lábios que ouvi doces histórias, risadas macias e ganhei o perdão que eu mesmo nunca estendi a ninguém. Por isso, perdão sou eu quem não merece mais", soluçava afundado em sua tristeza. E disse Deus com a ternura de Pai: "Perdão é graça, é perfume do coração que o entrega, e não causa pela colheita dos que amargam. Perdão foi feito para aqueles que não o merecem, para que se tornem dignos novamente de continuar seus próprios passos. Perdão é questão de amor, e por isso, é de quem sente. Eu te perdoo filho. Por ser também minhas palavras a própria vida, desfaz tuas amarguras agora com o recomeço que te brindo. Entretanto, por conhecer entre os teus erros o acerto, sentirás a falta dela. As saudades terão o gosto daquilo que de bonito você provou e tomou para si como seu, quando não era. A falta será presença, e o aperto no peito será lembrança do amor que você busca encontrar. Agora vá, esquece e recomeça!".

"O sofrimento apenas nos dá a medida dos erros cometidos, jamais serve de moeda para o pagamento de qualquer culpa". (José Lacerda)

3 comentários:

Fernanda Valente disse...

Texto perfeito Guilherme. Estou encantada com os inscritos. Vi que você também é de Santos. Que lugar? Um beijo.

Lu disse...

Sabe o que eu acho mais lindo? Você sempre escreve "amor" com letra maiúscula.

Já tem trechicho seu lá no meu abraço.

Beijo

Vanessa_Oliveira disse...

Lindo texto.
Se não for amor sincero pq errar.
Erremos pelos motivos certos.
Bjim ***