quinta-feira, 30 de junho de 2011

O Sofrimento da flor...

O jardim era sua terra-natal. Suas lágrimas, orvalho. Perfumes, ofício. Suas cores, fantasia. Seus espinhos, proteção. Mal sabia Rosa o que a nutria por debaixo da terra, dos panos e dos seus próprios olhos. Mal sabia Jasmim que por suas raízes alcançarem terra abafada, podia ela se erguer alta e livre a tocar o céu. Tinha medo Margarida de perder suas pétalas arrancadas pelo vento forte, pela mesma razão de também poder dançar inteira sob o sol ou sob a chuva. Sua nudez não era pecado, mas sim entrega. Não sabiam então que, quanto mais elevadas se faziam, mais frágeis também se tornavam. Antes, sofria a flor que se via pedra, chorava limo e que não se reconhecia Rosa, Jasmim ou Margarida. Quando  aí souberam que suas fragrâncias e cores seriam as mesmas em qualquer paisagem; quando descobriram que seriam plenas ainda que os olhos do homem não as contemplasse ou borboleta elegante ali não repousasse. Quando visita não foi mais espera; e quando as estrelas no céu lhes foram suficientes, o inverno por elas passou e aí sim, souberam que sementes eram sonhos; fragilidade era força. Primavera, recomeço. E suas dores, florescimento.


"A abelha traz o mel, como a alma traz a luz". (Victor Hugo)

14 comentários:

Patrícia Rocha disse...

E que venham muitas primaveras, para poder recomeçar...

Beijos mil :**

Alice disse...

Nossa, que lindo!

:*

disse...

Nossa... que lindo.
Quanta delicadeza nas palavras.

Beijoss

Luana Natália disse...

"(...) quanto mais elevadas se faziam, mais frágeis também se tornavam." Amei todo o texto! Sua habilidade com as palavras é incrível, parabéns :)
Seguindo seu blog.

Tainan Silva disse...

amei!!!!

ϟ Cynthia Brito disse...

A beleza divina que recebemos ninguém nos tira! Hoje percebo que uma coisa não precisa ter valor para que seja valorizado. Que alguém nos elogie ou não, a vida segue em frente e os planos tem que estar na prática... Assim como a flor não precisa que as borboletas pousem sobre elas para se sentirem flor, nós não precisamos de muita riqueza para nos sentirmos humanos.

Isso tudo é pureza, e pureza vem do coração.

Adorei, Guilherme!

Van disse...

Fiquei extasiada com a beleza deste seu texto.

Beijos Guilherme

нєllєи Cαяoliиє disse...

"o inverno por elas passou e aí sim, souberam que sementes eram sonhos; fragilidade era força. Primavera, recomeço. E suas dores, florescimento."
Quanta doçura tens essa flor...mesmo entre sofrimentos,a delicadeza e suavidade que descreveste dela,é sublime!
Beijos

Juliana. disse...

Muito bom!

Juliana

Claire disse...

Que as primaveras,me tragam de volta o que de mim foi podado.
Nossa,voc tem um dom.Um laço apertado com as palavra que não sei explicar,parece surreal.É lindo de mais.
Um grande beijo!Sou fã,de sua palavras.

Valéria Sorohan disse...

"sementes eram sonhos; fragilidade era força. Primavera, recomeço. E suas dores, florescimento."
Vou levar essa frase pára sempre comigo. Achei demais o post!

BeijooO*

camila disse...

me pergunto agora, porque é tão dificil ser flor?

beijo Guilherme

Rafaela Bento disse...

não se reconhece enquanto flor..quanto dor...

Adoro Victor Hugo, Os Miseravéis é melhor dos melhores dele ;]

Heat disse...

Ameeei!!!


Obrigada pela indicação. Realmente veio a calhar!