quarta-feira, 25 de maio de 2011

O Ilusionista...

Cabe dizer carinhos que vivem nas palavras descabidas no ouvido que as acolhe, ainda que plenas na boca que te procura? Cabe declarar o não declarado do coração que sente saudades? Cabe criar sonhos e ventanias na casa de sorrisos teus? Cabe deixar luz me fazer são, santo, tanto, por te querer? Pois desde que o amor me escolheu, passei a andar sobre as águas; tirar sorriso de mágoas; transformar chumbo em ouro; achar em você doces tesouros. Até multiplico pães a me acompanhar, com vinho que comprei pra lhe chamar. Faço janta, luz de velas, faço canção; pra embalar macio o coração; faço chover; mas não faço você querer me ver. Transformo áridos desertos em jardins. Só não faço você voltar pra mim. Paro o tempo, paro o vento; mas não sei lidar com teu silêncio. Canto, danço, represento. Meu querer em ti não toma tento. Qual feitiço que não soprei nos teus pés pra que corressem ao meu encontro? Tento tudo, tento tanto, em direções que busco, sou um tonto. Que vela não acendi pra desfazer distância? De qual cartola não tirei teu bem-querer? Por ora, romance de truques vazios; qual nuvem escolho pra te deitar macio? Dias de mágica que não funcionam. Sou ilusionista, e é disso que vivo, de que me alimento: de ilusões que não compro e que mal vendo. Deixei de ser pra me vestir poeta. Entre todas, é você: é esta, é esta! Sei que não estou iludido, mas escrevi porque acho tudo bonito. Pra declamar vontade de me achegar. Pra descrever vontade de te querer. Faço rima que te chama; chama viva, chama clara. Poderia ser fulana, beltrana, mas é você...

6 comentários:

Emoções disse...

Poetas, homens da arte em geral.
Foram e sempre serão como uma ponte
Entre o imaginário antigo e o real presente.
Como bons feiticeiros trazem
Ás almas insatisfeitas como que uma porção mágica
Que causa um breve delírio voluptuoso
Um extasiar fugaz, que alivia os ais,
Dos inconformados com a realidade contemporânea.
Todavia seu ungüento não dura mais que alguns instantes
Seu efeito curador se converte em um maior pesar
Maior que a dor atroz do passado.
Portanto, dou um conselho aos amantes das belas artes.
Não dêem ouvidos aos artistas do presente
Sejam vocês mesmos uma ponte e o viajante
Para ir ao mundo da pura arte...
Vão ao encontro do elixir da eterna melancolia
Na fonte, na sua origem, onde jorra com perfeição,
Tanto o bem, quanto o mal dos seus sublimes criadores.

Patrícia Rocha disse...

"Paro o tempo, paro o vento; mas não sei lidar com teu silêncio."

Amei! Vou guardar esse trecho :)
Beijos Lunáticos :**

Anônimo disse...

Hello é a 1ª vez que li o teu blog e reflecti imenso!Espectacular Trabalho!
Cumps

Tarsila Aroucha disse...

haaa adorei!
muito bom mesmo..bjus

Kamila disse...

Caramba! Tuas palavras são de uma delicadeza e intensidade que chega a intrigar e me deixa sem o que comentar aqui nesse espaço, hehe.
Well, parabéns!

Um beijo!
PAI te cuide!

нєllєи Cαяoliиє disse...

' Paro o tempo, paro o vento; mas não sei lidar com teu silêncio. '
Coisa mais difícil isso né? dizem que o silêncio às vezes é respostas,mas quando se prolonga demais,sabemos as causas que nos trazem...
Sempre belo aqui!
Beijo