segunda-feira, 30 de maio de 2011

Circo...

Cansei de ser cansaço. Cansei de ser palhaço de circo vazio. Hoje, somente meus sonhos riem de mim; e eu não rio da vida. Rio de lágrimas a desaguar em tristeza de não ser o teu cafuné, nem teu sonho bom. Eu sou espetáculo da aridez, a espantar amores e pagantes, a matar o sagrado nos instantes em que te encontrei. Sou piada pronta, rima tonta, e até com alguma graça. E me encanto rindo em pranto pelos frios na barriga e suspiros que me acham como sopro do teu alento. Jogaria fora o vinho que guardei pra te esperar; ou rasgaria as cartas que escrevi pra te lembrar; abandonaria picadeiro dos olhos teus a me lançar; se eu não traísse a própria morte. Com sorte, da morte de nós dois que nego e que pra longe corro fazendo atalhos; e se faço curva, faço nós. Fujo no silêncio das lembranças minhas pra canto escuro do coração, onde ninguém me encontra, mas donde também não te vejo. Abrigo de lona na ilha de um só homem; porque sou náufrago de fantasias coloridas a te encantar, porque sou errante de rota incerta que errei, no circo bonito que te chamei, pra nos teus braços alcançar, mas que na tua vida não aportei. Por isso, nariz vermelho não é de tinta, é de tanto chorar. Porque com a minha trupe, meus números e poesias, não vou mais voltar. Pois resolvi fazer carreira solo e procurar em você dueto, a perguntar em dúvida a falar: Amor, será que nos reencontramos mesmo antes de vez nos perdermos? Mas ouço poesia de Vinícius da boca tua: "Dorme, meu amor; Como no céu a lua; Tu serás sempre meu; E eu só tua".

12 comentários:

João Ludugero disse...

Visite meu blog de poesias. Se gostar e puder meseguir, vou gostar muito. Saúde e felicidades, hoje e sempre! Muitas alegrias duradouras e muita luz, muita paz e dias felizes! Abraços,
João, poeta.
www.ludugero.blogspot.com
Até mais! Já te sigo.

Marly Bastos in "palavreados ao vento" disse...

Guilherme,
Adorei o teu texto de ex-palhaço de graça pública.
Quem já não teve nariz tão vermelho, tal qual de palhaço por chorar um amor que se foi?
Mas, como a esperança é a última que morre, ainda pode se apegar à poesia de Vinícius.
Beijos e uma boa semana.

Renata Fagundes disse...

Pegando carona na doçura de Vinícius

"O amor é a memória
que o tempo não mata"

beeeijo Guilherme

Poupée Amélie™ disse...

Guilherme,
Vir aqui tornou-se parte da minha rotina. Beber um pouco da sua poesia, alivia a dor gigante que tenho sentido. Nesse momento sou palhaço: nariz vermelho de tanto chorar. E ainda, estou alojada no canto escuro do meu coração, onde me refugio de mim mesma, dele... de todos.
BeijO*

Fé Fraga disse...

Ohh meu Deus Guí.
Quanta inspiração, é um alento pra mim qd venho aqui no seu cantinho.
Aqui só há suspiros e emoções vindas de suas palavras que desaguam em minh´alma.
Um beijo.
Fé Fraga.
http://mefaltaumpedacoteu.blogspot.com

Vanessa_Oliveira disse...

Seu texto é o próprio Pierrot ... quem nunca foi um palhaço de tanto amor?? amei seu espaço, já estou te seguindo. Parabéns pelo Blog
MARAVILHOSO,
bjo ***

http://tulipasnajanela.blogspot.com/

Valéria Sorohan disse...

Coração que chora é coração vibrante, é coração que vale a pena escutar.
Coisa linda esse seu texto.

BeijooO*

Solange disse...

um texto triste, porém decidido..
gostei tanto..

bjs.Sol

Luciana Lís disse...

Inequivocadamente fiquei sem palavras. Mas se temos as palavras, apreciá-las em silêncio deve ser o mais sábio.
Lindo texto, e ao fim mal pude compreender se sofrimento ou alegria. Mas com toda a delicadeza provocada por um sentimento tão inspirador, no mínimo deve haver um punhado de algerias!

Beijão

Patrícia Rocha disse...

Tão lindo... :)

Beijos :**

Su lourencio disse...

Que lindo Gui. Sempre um prazer ler teus escritos..

Sabrina Davanzo disse...

Suspiros...