domingo, 1 de maio de 2011

Amor-frescobol...

Tem gente na vida da gente que nos consegue convencer o coração sizudo e desinteressado pra passear e tomar sol; gente que nos tráz óculos de lentes bonitas a desfazer o preto-e-branco dos dias vazios que se repetem. Tem gente com cheirinho de aconchego que dá vontade de guardar no bolso e levar sempre pra qualquer lugar. Há algumas luas que te encontrei assim, tão pedaço meu, lugar de carinho bom, delicadeza a preencher meu mundo para, desde então, costurarmos no silêncio o encontro de nós dois, cercando aos poucos o coração de doçuras, a trazer alento e encanto, bordando gentilezas na estrada nossa. Culpa sua que paixão e fantasia me deixaram eloquente, pelas mãos que confessam desejos e vontades a te querer mais perto, pelos beijos roubados a te fazer entregue sob os lençóis da nossa casa e a árvore do nosso quintal. E entre os carinhos que se fazem com o corpo e os carinhos que se fazem com as palavras, colho as mais bonitas delas a enfeitar ponte que nos levará até o outro onde a comunhão se dê, a cantar na janela da tua alma, serenata de suspiros e sensações gostosas em poesia que te gosta; a compor carta de amor que escrevo nas entrelinhas da minha vida, mas que explicam o seu nome e o seu sorriso. O que faz bem deve ser dito, sussurrado e semeado: pra nos lembrarmos daquelas verdades das coisas que só o Amor declara; e é nele onde guardamos os sonhos e desejos que dão fundo e cor ao coração; e é através dele onde te vejo aqui, ainda que tão longe. Onde te sinto em mim, mesmo que não-aqui. E é por tudo isso, isto e aquilo onde me faço inteiro e te amo. Sabe amor-frescobol? Aquele que não se encerra no prazer como sombra dos sentidos e das satisfações imediatas? Aquele que se delicia com longas conversas que se revezam em silêncios bonitos? Aquele que preserva as mútuas escolhas e os sonhos de cada um? Onde a parceria não deixará nunca que o outro caia ou se machuque? Me sinto no começo de um jogo contigo, onde jamais nenhum de nós (se) perderá.


"Não escreva o que sentiria se acordasse comigo. Acorde comigo. Não imagine meu cheiro. Me cheire. Não fantasie meus gemidos. Me faça gemer. O amor só existe enquanto amar. Ação. Calor. Verbo. Presença. Milímetros. Hálito'. (Gabito Nunes)

5 comentários:

enteraqui no meu Universo disse...

sensacional!

disse...

Um texto lindo, apaixonante, apaixonado!
Linhas tenues entre o amor e a paixão que se percebe em seu coração.
Lindo mesmo, adorei!

Beijoss

dja disse...

Nossa que lindo Gui.

beijos e ótima semana.

z i r i s disse...

Guilherme!

Que felicidade encontrar um comentário seu, tão sensível. Ainda mais nesses dias... Ainda mais quando o que mais tenho feito é esfregar o encardido do tempo nas dobras dos meus dedos...

...costurarmos no silêncio o encontro de nós dois...


Seu texto veio a calhar Guilherme. Um dia um poema da Rita Apoena, não lembro exatamente, culpa da minha memória fraca, mas ela perguntava o porque de não fazermos uma festa para todo final, comemorando tudo o que foi...
Entendi que a rotina do amor é ser, simplesmente. E quando é, é lindo. Nunca mais esqueci!


Grande abraço

Ellen Brito disse...

Obrigada pelo comentário. Não li todos os seus textos, mas os que li, adorei! Por coincidência fiz um texto citando "Guilherme" rs