terça-feira, 5 de abril de 2011

Amargo...

Arrogando-se no monopólio do bem e do justo ao coroar a si mesmo como dono da verdade, acima do bem e do mal e além das dores do mundo, multiplica feitos, fatos e ganhos, em faz de conta que a si próprio engana; em que torna real seu cenário de herói. Com fantasia de sábio a ser descartada depois de cada carnaval na vida alheia, veste arrogância disfarçada de sensatez. Evita ler com os olhos míopes da alma, as lições do Ser que a vida ministra; ele apenas decorou sabedoria, a se gabar do que nada entende, mas que repete muito bem. Sobe alto em seu ego pra de lá fazer palanque e bradar suas verdades, distraindo o seu próprio tamanho com mentiras que a todos engana e a si mesmo convence. Tem alergia às correções, e não há tropeço ou pedra no caminho que faça descer nariz empinado abaixo da linha do horizonte. Por isso, quer ver além, mas não vê nada. Joga todas as oportunidades pra debaixo do tapete, ao adoçar o amargo com adoçante e não com luta transformadora a suavizar no porvir, o gosto dos inevitáveis desafios a permear casca dura e encontrar raíz dos seus males, curando-o de vez. E por isso mesmo que, quando no fogo atravessa, não purifica, porque não dói, esquecendo-se, assim, de avançar, por pensar que já caminhou demais. Assim, é o outro quem carrega o peso, negando-se a dividir tarefa pelo falso sentir-se realeza; leva consigo apenas os elogios que coleciona aos montes. A coroa é de brinquedo. Seu manto, lençol sujo e pueril. Precisa crescer; de dentro pra fora.

"A única vez que me enganei, foi quando pensei que houvesse me enganado".

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