domingo, 27 de março de 2011

Primavera...

"Depois de ter cortado todos os braços que se estendiam para mim; depois de ter entaipado todas as janelas e todas as portas; depois de ter inundado os fossos com água envenenada; depois de ter edificado minha casa num rochedo inacessível aos afagos e ao medo; depois de ter lançado punhados de silêncio e monossílabos de desprezo a meus amores; depois de ter esquecido meu nome e o nome da minha terra natal; depois de me ter condenado a perpétua espera e a solidão perpétua, ouvi contra as pedras de meu calabouço de silogismos a investida húmida, terna, insistente, da Primavera."
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(Octavio Paz)

2 comentários:

Solange disse...

abra-se.. deixe ela entrar..
aposto que um sorriso em teu rosto brotará com os primeiros raios do sol!

bjs.Sol

Cáh disse...

Li com os olhos firmes e doendo... terminei e pensei 'ufa'.


Um beijo