terça-feira, 29 de março de 2011

O Jardim das Aflições...

Quando levar o vento todas as minhas vestes, de cores e detalhes a me distrair e adoçar meus sentidos, verei então o preto no branco e o cerne cru das coisas que, pelos seus contrários, escureceram o coração minha vida inteira. Quando vier o tempo a me cobrar semeadura neste jardim de delícias e aflições, trarei à mesa da Justiça o pão que reparti, mas também o vinho que só eu bebi, a me embriagar de exigências desmedidas e a reclamar falsos prestígios. Dos pecados que carreguei e do perdão a quem neguei, sopro aos ouvidos da morte, pedido de recomeço nas vinhas do Pai, a me fazer mais lúcido diante da Vida próxima. Assim, tomarei meu refúgio na luz que mora dentro e que por hoje se esqueceu de ser, revelando o mais além e atemporal, onde calam os símbolos e as palavras a entoar doce canto e magno plano que se realiza em nós e que só a Alma vê: O amor como quintal a me deixar ser criança pela inocência no esquecer; como bom jardineiro quando me cortar no espinho da rosa bonita e também como bom ouvinte, a contemplar tantas versões da Sua história contada pelo Sol, pela Lua e por todos nós que por aqui passeiam.

Um comentário:

Carla Diacov disse...

que foto triste!
que texto bom.


beijo!