domingo, 6 de março de 2011

Incertas...

"Nunca amamos ninguém. Amamos, tão-somente, a idéia que fazemos de alguém. É a um conceito nosso - em suma, é a nós mesmos - que amamos. Isso é verdade em toda a escala do amor. No amor sexual buscamos um prazer nosso dado por intermédio de um corpo estranho. No amor diferente do sexual, buscamos um prazer nosso dado por intermédio de uma idéia nossa. (...) As relações entre uma alma e outra, através de coisas tão incertas e divergentes como as palavras comuns e os gestos que se empreendem, são matéria de estranha complexidade. No próprio ato em que nos conhecemos, nos desconhecemos. Dizem os dois 'amo-te' ou pensam-no e sentem-no por troca, e cada uma quer dizer uma idéia diferente, uma vida diferente, até, porventura, uma cor ou um aroma diferente, na soma abstracta de impressões que constiui a atividade da alma. (...)"
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-Fernando Pessoa-

4 comentários:

Aline disse...

Fernando Pessoa, sempre... Fernando Pessoa. Só ele consegue descrever tao bem, coisas que nós meros humanos tanto sofremos para entender.

Aline disse...

Fernando Pessoa. Essencial.

Solange disse...

uma visão muito interessante..

bjs.Sol

Sizií disse...

UUiii
Perfeito
:)

Beijo