sábado, 26 de fevereiro de 2011

Espelho...

"A morte é um espelho que reflete as vãs gesticulações da vida. Toda essa colorida confusão de atos, omissões, arrependimentos e tentativas -- obras e sobras -- que é cada vida, encontram na morte, senão sentido e explicação, um fim. Diante dela, nossa vida se desenha e se imobiliza. Antes de desmoronar-se e fundir-se no nada, ela se esculpe em forma imutável: mudaremos, para então desaparecer. Nossa morte ilumina nossa vida. Se nossa morte carece de sentido, então nossa vida também não tem sentido algum. Por isso, quando alguém morre de morte violenta, as pessoas dizem "ele procurou por isso". E é verdade, cada um tem a morte que busca, a morte que constrói para si mesmo. Morte de cristão ou morte de pagão são jeitos de morrer que refletem jeitos de viver. Se a morte nos trai e morremos da morte errada, que lástima: é preciso morrer como se vive. A morte é instranferível, como a vida. Se não morremos como vivemos é porque realmente não vivemos a nossa própria vida: não nos pertencia, como não nos pertence a má-sorte que nos mata. Diga-me como morreste e te direi quem és." (Octavio Paz)

Um comentário:

Luciana Lís disse...

Octávio Paz, grande mexicano, Nobel super merecido!

Reflexão muito pertinente, tbm contraditória, por fim - acidentalmente nascemos, acidentalmente morremos.

Gostei mto daqui!
Beijão